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Grupo brasileiro usa IA para invadir bancos e roubar criptomoedas

Carla Fernandes
Última atualização: 14 de outubro de 2026 22:05
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

O grupo cibercriminoso brasileiro Slim Spider usa inteligência artificial para automatizar ataques e invadir instituições financeiras, mirando criptomoedas e contas do Pix, segundo relatório da CrowdStrike, uma das maiores empresas de cibersegurança do mundo. O Brasil é o terceiro país mais visado por cibercriminosos globalmente.

Em março deste ano, pesquisadores da empresa notaram uma ação especializada que fugia do padrão. O Slim Spider conduziu uma intrusão em múltiplas etapas em uma instituição financeira, mirando ativos de criptomoedas e contas de pagamento instantâneo da organização. A instituição não foi revelada.

A quadrilha também invadiu a infraestrutura em nuvem de diversos serviços e provedoras. Para roubar credenciais de nuvem, desenvolveu ferramentas que consultavam o serviço de credenciais de acesso temporárias. O ataque envolveu scripts automatizados para filtrar caixas de e-mail, identificando termos em português como “finanças”, “admin” e “Brasil”.

O grupo usou um malware batizado de “spi”, em referência ao Sistema de Pagamentos Instantâneos do Banco Central, motor do Pix. O vírus era embutido como arquivo legítimo do sistema para não chamar a atenção. A partir da infecção, o grupo invadiu o Azure DevOps, plataforma da Microsoft onde equipes de TI armazenam códigos, e rodou rotinas automáticas maliciosas.

O relatório Threat Hunting 2026 da CrowdStrike indica uma mudança histórica no cibercrime brasileiro. Historicamente conhecido por golpes fáceis e rápidos, com malwares bancários alugados, o cenário agora abriga operações sofisticadas com invasões em nuvem, automações via IA e exploração direta da infraestrutura do Pix.

Jeferson Propheta, vice-presidente da CrowdStrike para a América do Sul, afirmou que o Slim Spider é dissidente do grupo Plump Spider, monitorado desde novembro de 2023. “Só classificamos agora porque as operações se diferem: ferramental especializado, conhecimento especializado. Não é tiroteio para todo lado”, disse.

Segundo o executivo, a IA potencializou o cibercrime, “levando-o a um nível próximo do que víamos no estatal”. Ele afirmou que a tecnologia quebrou barreiras de idioma entre criminosos, que agora acessam fóruns russos de hacking com mais facilidade. “Popularizou o acesso a ferramentas de alto valor e a informação global, combinado com conhecimento local. Virou a tempestade perfeita.”

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