A guerra entre Estados Unidos e Irã deve elevar em 8,7% os custos de energia para aquecimento de casas americanas neste inverno, segundo projeção da Associação Nacional de Diretores de Assistência Energética (NEAD). O aumento é mais que o dobro da inflação anual de 3,4% registrada no país. Cerca de 5 milhões de lares, principalmente no Nordeste, dependem de óleo de aquecimento.
A associação projeta que o preço do óleo de aquecimento suba mais de 31% nesta estação, puxado pela disparada dos preços do petróleo em razão do conflito. Desde 2021, os custos de energia já acumulam alta média de quase 30%, segundo a entidade.
Famílias de trabalhadores e idosos que já enfrentam dificuldades para fechar as contas serão as mais atingidas financeiramente, afirma a NEAD. Casas frias podem elevar a pressão arterial e aumentar o risco de ataques cardíacos e derrames, especialmente entre idosos.
O impacto vai além da conta de aquecimento. Como o diesel move os caminhões que transportam mercadorias pelo país, o preço mais alto do petróleo encarece alimentos, roupas e itens essenciais. Pesquisa da CNBC feita neste ano mostrou que 63% dos adultos americanos vivem de salário em salário.
Quando não conseguem pagar pelo aquecimento, muitas famílias adotam estratégias perigosas, como usar aquecedores portáteis, acender fogões a gás, queimar lixo dentro de casa ou permanecer em carros ligados em locais fechados. Pesquisa conduzida durante o primeiro ano da pandemia indicou que mais da metade dos lares de baixa renda recorreu a esse tipo de medida.
As dívidas contraídas no inverno precisarão ser pagas depois, com juros e taxas, reduzindo o dinheiro disponível para a próxima conta ou emergência familiar. O acúmulo de débitos pode levar ao corte do fornecimento de energia quando as proteções de inverno deixarem de valer.
O programa federal de assistência energética para baixa renda, conhecido como LIHEAP, atende apenas uma fração das famílias necessitadas. A agência internacional de energia renovável (IRENA) calcula que 91% da capacidade de geração renovável em escala comercial instalada em 2024 produz eletricidade mais barata que a alternativa fóssil mais econômica.


