A inteligência artificial pode ser a chave para trazer de volta o dodô, ave extinta há mais de 350 anos. Pesquisadores da Colossal Biosciences, em Dallas, anunciaram que a tecnologia deve acelerar o processo de desextinção, com previsão de que o animal volte a andar pela Terra no início da década de 2030.
O anúncio foi feito nesta quarta-feira (14) pela empresa, que já trouxe de volta o lobo-da-tasmânia, extinto há mais de 10 mil anos, em 2025. Agora, o dodô é o novo alvo do projeto, que também inclui o mamute-lanoso, o tigre-da-tasmânia, o moa e a quagga.
“A desextinção é tanto um problema de dados quanto de biologia”, disse o CEO e cofundador da Colossal, Ben Lamm, em comunicado. “A IA aprende como o DNA regulatório molda as aves vivas e identifica os interruptores genéticos que podem ter contribuído para a anatomia distinta do dodô.”
O desafio é grande: o DNA do dodô está fragmentado e degradado após séculos. Para contornar isso, a empresa desenvolveu a plataforma GenoMorph, que usa IA para preencher as lacunas genéticas. Os cientistas construíram um atlas mostrando como os interruptores genéticos controlam o desenvolvimento facial em embriões de galinhas, codornas, patos e pombos.
Foram identificados cerca de 2.350 interruptores genéticos que podem explicar o bico incomum do dodô, um dos traços mais marcantes da ave. “Para um genoma antigo, este é extraordinário”, disse a diretora científica da Colossal, Beth Shapiro. “Há alguns pequenos buracos, mas muito menos do que normalmente vemos com DNA antigo.”
O processo de desextinção do dodô será mais complexo que o do lobo-da-tasmânia, já que aves gestam fora do útero. Os pesquisadores planejam colher células germinativas primordiais do pombo-nicobar, parente vivo mais próximo do dodô, e injetá-las em ovos de galinha, que servirão como substitutos.
“Em um mundo ideal, usaríamos o pombo-nicobar como substituto, mas eles são reprodutores sazonais e põem poucos ovos”, explicou a diretora de espécies aviárias da Colossal, Anna Keyte. “Ovos de galinha são fáceis de obter e permitem muito mais tentativas.”
O trabalho deve levar cerca de cinco anos, e os cientistas pedem paciência. “Cada avanço científico se torna parte de uma plataforma tecnológica escalável que acelera os programas seguintes”, afirmou Shapiro.

