O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,3% em agosto, acima da expectativa do mercado, mas o resultado trimestral recuou 0,6%, sinalizando perda de força da economia no terceiro trimestre. O setor industrial puxou a alta, enquanto a agropecuária caiu 1,8%.
O avanço de 0,3% veio levemente acima das expectativas do mercado, que previa 0,2%. A indústria cresceu 0,9%, os serviços avançaram 0,2% e os impostos subiram 0,1%. A agropecuária recuou 1,8%.
Apesar do resultado positivo em agosto, os recuos de junho (-0,6%) e julho (-0,2%) mantêm o trimestre em trajetória de desaceleração. “Os aumentos registrados no mês não foram suficientes para compensar as quedas acentuadas”, avaliou Alberto Ramos, chefe de Pesquisa Econômica para a América Latina do Goldman Sachs.
O banco projeta um efeito de carregamento de -0,5% para o terceiro trimestre. A XP também estima -0,5%, mas melhorou a projeção ante o mês anterior, quando era -0,7%. Alexandre Maluf, economista da XP, prevê que o IBC-Br de setembro deve recuar 0,1%.
Na comparação com agosto de 2025, o indicador tem expansão de 0,9%, excluindo a agropecuária. Em 12 meses, o crescimento é de 1,6%, patamar inferior ao observado nos meses anteriores, segundo Leonardo Costa, economista do ASA.
Para Antônio Ricciardi, economista do banco Daycoval, a desaceleração já era esperada. “Os primeiros sinais já haviam aparecido no final do segundo trimestre, e agora os dados do terceiro trimestre confirmam a continuidade desse movimento de enfraquecimento. Para o quarto trimestre, também não esperamos surpresas positivas que alterem essa trajetória”, disse.
Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, afirma que o dado mostra desaceleração gradual. “A estabilidade da taxa acumulada em 12 meses, combinada à contração de 0,6% na métrica trimestral móvel, sugere perda de ímpeto da demanda doméstica e reforça a avaliação de crescimento do PIB do 3T26 em torno de zero”, explicou.
Os dados levaram o Goldman Sachs a reduzir a projeção de crescimento para 2026 de 2,0% para 1,8%, e a estimativa para 2027 de 1,2% para 1,0%. A XP mantém projeção de 1,7% em 2026 e 1,0% em 2027. O Daycoval projeta 1,8% neste ano, com “viés de baixa”. Para André Matos, CEO da MA7 Capital, o PIB deve crescer 1,85% em 2026 e 1,4% em 2027, com o país entre oito e dez trimestres crescendo abaixo do potencial.

