O percentual de famílias brasileiras com dívidas em atraso caiu para 29,6% em setembro, mas o comprometimento médio da renda com débitos subiu para 29,6%, ante 29,3% em agosto, segundo a Peic, divulgada nesta sexta-feira (9) pela CNC.
O índice de inadimplência é o menor desde março. Em agosto, 29,9% das famílias estavam com contas atrasadas. O percentual de endividados, que inclui quem paga em dia, recuou de 82% para 81,7% no período.
O tempo médio de atraso também aumentou, chegando a 65,3 dias, o maior desde novembro de 2024. A parcela de famílias com dívidas atrasadas há mais de 90 dias subiu para 48,9% do total.
O percentual de famílias que disseram não ter condições de pagar as dívidas em atraso e, portanto, permaneceriam inadimplentes no próximo mês ficou em 12,5%, mesmo nível de agosto. Já a proporção de famílias com mais da metade da renda comprometida com dívidas chegou a 19,4%, maior nível desde fevereiro, quando atingiu 19,5%.
A pesquisa mostra diferenças por faixa de renda. Entre as famílias com rendimento mensal de até três salários mínimos, 38,5% tinham dívidas em atraso em setembro, ante 38,8% em agosto. Na faixa de três a cinco salários, o indicador caiu de 28% para 27,8%. Entre cinco e dez salários, recuou de 20,3% para 20,2%. Já entre as famílias com renda superior a dez salários, a inadimplência subiu de 14,9% para 15%.
A proporção de famílias que afirmaram não ter condições de quitar as dívidas atrasadas no próximo mês também foi maior entre as de menor renda: 18,5%, ante 18,3% em agosto. Na faixa de três a cinco salários mínimos, o percentual caiu de 10,8% para 10,6%.
A CNC afirma que, apesar de dependerem mais do crédito para manter o consumo, as famílias de menor renda foram as que mais reduziram o endividamento no mês. Para os próximos meses, a entidade projeta novas reduções na proporção de famílias com contas em atraso no próximo trimestre, acompanhadas de estabilização do endividamento.
A pesquisa é realizada mensalmente desde janeiro de 2010 e reúne informações de aproximadamente 18 mil consumidores em todas as capitais e no Distrito Federal. O levantamento acompanha modalidades como cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, empréstimo pessoal, carnês e financiamentos.

