A indústria brasileira aumentou a dependência de bancos comerciais para financiar operações de curto e médio prazo em 2026, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta sexta-feira (16). Essas instituições foram a principal fonte de recursos para 65,3% das empresas que buscaram crédito entre fevereiro e julho, ante 61% no ano anterior.
O levantamento, que integra a Sondagem Especial nº 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026, ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto. O acesso ao financiamento segue como obstáculo: 24,7% das empresas que tentaram contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo não conseguiram. Nas operações de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, o percentual subiu para 37,2%.
As pequenas empresas registraram os maiores índices de insucesso. No crédito de curto e médio prazo, 32% delas não obtiveram recursos, ante 28,4% das médias e 20,3% das grandes. No longo prazo, a diferença se acentuou: 48,2% das pequenas e 48,1% das médias não conseguiram contratar ou renovar operações, enquanto entre as grandes o índice foi de 29,9%.
Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, afirmou que as pequenas empresas têm mais dificuldade para apresentar as garantias exigidas pelos bancos e comprovar capacidade de pagamento. Elas também dispõem de menor poder de negociação para obter condições favoráveis.
Mesmo entre as que conseguiram crédito, os recursos nem sempre foram suficientes. No curto e médio prazo, 62,1% receberam o valor solicitado e 24,9% obtiveram montante menor ou muito menor do que precisavam. Nas operações de longo prazo, 61% receberam o valor necessário e 26,4% tiveram acesso a quantias inferiores. A insuficiência foi mais frequente entre as pequenas: 33,3% receberam menos no curto e médio prazo, e 34,4% no longo prazo.
Entre as empresas que renovaram linhas de curto e médio prazo, 24,8% disseram que as condições pioraram ou pioraram muito, 53,9% relataram que permaneceram semelhantes e 19,7% notaram melhora. No crédito de longo prazo, 17,8% avaliaram piora, 26,9% melhora e 53,2% condições semelhantes.
A pesquisa mostrou ainda que 49,9% das empresas não buscaram contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo no período. No financiamento de longo prazo, a proporção chegou a 54%.

