O infarto é a principal causa de morte no Brasil e no mundo, e pode ocorrer a qualquer hora, mas há momentos de maior risco: pela manhã, entre 8h e 11h, e em dias frios. O cardiologista Fernando de Paula Machado explica os fatores de risco, os sintomas típicos e atípicos e o que fazer diante de uma suspeita.
Na época da faculdade, próximo de se escolher qual especialização seguir, ouvíamos que neném não tem hora para nascer e infarto não tem hora para acontecer. Para ser obstetra ou cardiologista, teríamos de ter disponibilidade 24h. Mas será que é verdade? Não há nada que possamos fazer para prever o aparecimento desta doença?
O infarto, popularmente conhecido como “ataque do coração”, acontece quando uma artéria que leva sangue ao coração fica entupida, geralmente por causa de uma placa de gordura (colesterol) que se rompe e forma um coágulo. Entender os fatores de risco e os momentos de maior perigo ajuda a se proteger.
Os principais fatores de risco são tabagismo, colesterol alterado, pressão alta, diabetes, obesidade, sedentarismo, estresse e fatores emocionais, além de idade e histórico familiar. Na grande maioria dos casos, a pessoa tinha pelo menos um desses fatores — e muitos podem ser controlados com mudanças de hábito e tratamento médico. Por outro lado, pode haver um forte fator genético, mesmo em pessoas com hábitos de vida saudáveis.
O infarto ocorre com muito mais frequência pela manhã, principalmente entre 8h e 11h, logo depois que a pessoa acorda. Isso acontece porque, ao despertar, o corpo aumenta naturalmente a pressão arterial, a frequência cardíaca e a “colagem” das plaquetas do sangue. O infarto também é mais frequente no frio, especialmente no inverno, do que no calor. Temperaturas baixas fazem os vasos sanguíneos se contraírem, o que aumenta a pressão arterial e deixa o sangue mais “grosso” e propenso a formar coágulos.
O sintoma mais comum é dor ou desconforto no peito, descrito como pressão, aperto ou peso, que pode durar mais de alguns minutos ou ir e voltar. Mas também pode se manifestar de outras formas: dor que se espalha para o braço (principalmente o esquerdo), ombro, costas, pescoço, mandíbula ou boca do estômago; falta de ar, com ou sem dor no peito; suor frio, náusea, vômito ou tontura; cansaço incomum ou fraqueza súbita, sem causa aparente.
Mulheres, idosos e pessoas com diabetes têm mais chance de sentir um infarto sem a dor típica no peito, apresentando principalmente falta de ar, náusea, dor entre as costas ou cansaço intenso. Por isso, mesmo sem dor forte no peito, esses sinais não devem ser ignorados.
Diante de uma suspeita, a orientação é ligar imediatamente para o serviço de emergência (192 – SAMU). Não é indicado dirigir até o hospital por conta própria, pois o socorro especializado pode iniciar o tratamento ainda a caminho. Se for por meios próprios, vá à unidade de pronto atendimento (UPA) ou ao pronto-socorro mais próximo. Não espere para ver se a dor passa sozinha — cada minuto de atraso reduz as chances de um tratamento bem-sucedido.

