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Inflação dos EUA surpreende e mercado passa a apostar em alta de juros do Fed

Carla Fernandes
Última atualização: 14 de outubro de 2026 17:52
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

A inflação ao consumidor dos Estados Unidos veio acima do esperado em setembro, elevando as apostas do mercado em uma alta de juros pelo Federal Reserve nas próximas reuniões. O CPI cheio subiu 0,65% no mês, e o núcleo, que exclui itens voláteis, avançou 0,33%, ambos acima das projeções de Wall Street.

O índice de preços ao consumidor cheio de setembro veio em 0,65%, levando a variação em 12 meses a 3,72%, ante 3,35% no mês anterior. Foi a maior alta mensal do CPI desde o início do conflito com o Irã, em março de 2026.

O chamado CPI Core, indicador mais acompanhado de perto, também veio inesperadamente forte, em 0,33%, elevando a variação em 12 meses para 2,57%, ante 2,45% no mês anterior. As projeções de Wall Street para o núcleo do CPI estavam na faixa de 0,20%.

Após a divulgação, as probabilidades de alta de juros na reunião de 28 de outubro subiram para mais de 50%, segundo o analista John Kerschner, head global de produtos securitizados da Janus Henderson. Para a reunião de 9 de dezembro, a chance de alta é, para todos os efeitos, de 100%.

Kerschner citou o ex-campeão mundial de boxe Mike Tyson para descrever a situação do presidente do Fed, Kevin Warsh: “Todo mundo tem um plano até levar um soco na cara”. Antes da divulgação, os participantes do mercado praticamente descartavam uma alta de juros na reunião de outubro, diante de comentários recentes de tom mais brando de diretores do Fed.

O analista afirmou que a maioria das empresas percebeu que a alta do petróleo deixou de ser temporária, sobretudo porque o volume de petróleo que passa por Ormuz está quase tão alto quanto antes do conflito. “O mercado está precificando um ‘imposto de risco do petróleo’, e as empresas estão repassando esse custo cada vez mais aos consumidores, em vez de absorvê-lo a contragosto”, explicou.

Kerschner reconhece que a principal pergunta é se esses números vão levar o Fed a elevar os juros em outubro e fazer o mercado precificar ainda mais altas em 2027. “Acreditamos que o Fed tem muito trabalho pela frente e que uma única alta, embora dê ao Fed credenciais temporárias de combatente da inflação, não será suficiente para saciar este mercado de títulos indisciplinado”, disse.

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