A influencer paraense Lia Mendonça publicou um vídeo nas redes sociais em que aparece tomando banho e fazendo carinho em uma capivara em um lago no Pará. A cena, que parece inofensiva, motivou um alerta de especialistas sobre os riscos de febre maculosa e outras doenças associadas ao contato com animais silvestres.
Nas imagens, Lia abraça o roedor e quase troca um beijo com ele. Apesar da aparência dócil, o professor e biólogo Charles Fontenele afirma que a capivara é um animal silvestre e possui necessidades diferentes das de um animal doméstico.
“O contato com ambientes naturais, como áreas de mata, gramados e margens de rios e lagos, faz parte da vida desses mamíferos e também os coloca no ciclo de diferentes vetores”, explica.
O risco não está no carinho, mas na exposição a carrapatos infectados, especialmente o carrapato-estrela, que pode parasitar capivaras em ambientes com água e vegetação. A transmissão da febre maculosa ocorre quando o parasita permanece aderido à pele por algumas horas.
O Ministério da Saúde reconhece a importância das capivaras no ciclo da febre maculosa brasileira. Os primeiros sintomas incluem febre, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos e dores musculares, podendo evoluir para manchas avermelhadas pelo corpo e quadros graves.
Além da febre maculosa, o contato com animais silvestres pode envolver outras doenças, como raiva, leptospirose, leishmaniose e tripanossomíase. Especialistas recomendam evitar locais com vegetação alta, usar roupas claras e repelentes, e verificar o corpo após permanecer em áreas de risco.
“Isso não significa que toda capivara esteja doente ou que o simples contato com uma delas provoque essas enfermidades. O alerta está relacionado à necessidade de respeitar os hábitos naturais dos animais e evitar situações de exposição desnecessária”, conclui Fontenele.

