Christa Pike, de 50 anos, condenada à morte no Tennessee, Estados Unidos, sobreviveu à execução por injeção letal nesta quarta-feira (30) após receber duas aplicações de pentobarbital. Ela continuou respirando e foi levada a um hospital. O governador Bill Lee suspendeu outra execução prevista para este ano e determinou revisão do procedimento.
O pentobarbital, da classe dos barbitúricos, atua no sistema nervoso central e reduz de forma intensa a atividade cerebral. Em doses altas, pode comprometer funções automáticas como a respiração, explicou o neurologista José Bauab.
— A droga coloca o corpo como no estado de anestesia para a cirurgia, mas nesse contexto, a pessoa tem o suporte ventilatório para respirar por ela. Sem isso, o corpo acaba entrando em choque e não suporta — disse ao g1.
Os barbitúricos foram desenvolvidos no fim do século 19 e usados para sedação, anestesia e controle de convulsões. Perderam espaço por riscos como dependência e depressão respiratória.
Pike deveria receber a injeção às 20h, no horário local, na Instituição de Segurança Máxima Riverbend. Jornalistas relataram que ela cantava, reclamou de dor no braço após a primeira aplicação e continuou respirando e roncando antes de serem retirados da sala.
— Esta noite, o estado do Tennessee mais uma vez falhou em realizar uma execução legal. Christa está sendo atendida em um hospital próximo. Não fomos informados sobre sua condição — afirmou a defesa.
Os advogados citaram problemas como dificuldade de acesso às veias e rompimento de veias. A defesa tentou impedir a execução alegando doença sanguínea e risco de sofrimento.
Pike foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, em 1995, quando tinha 18 anos. Ela e o namorado espancaram e mataram a jovem em um acampamento. O namorado, então com 17 anos, foi condenado à prisão perpétua. Especialistas da ONU pediram a comutação da pena. Desde 1976, 18 mulheres foram executadas no país, segundo o Centro de Informação sobre a Pena de Morte.

