O Ira! encerra nesta sexta-feira (16), no Circo Voador, na Lapa, a turnê que celebrou os 20 anos do álbum “Acústico MTV”, lançado em 2004. A apresentação marca também os 45 anos de carreira da banda paulistana, completados no último sábado (10). O show traz as 19 faixas do disco na ordem original.
O álbum, que vendeu quase um milhão de cópias em CD e DVD, segue sendo um marco na trajetória do grupo. “Foi um divisor de águas para nós”, resume o vocalista Nasi, que divide os microfones com o guitarrista Edgard Scandurra.
Desde abril de 2025, a turnê já passou por mais de 80 cidades do Brasil e de Portugal, somando mais de 90 apresentações. “O sucesso do ‘Acústico’ se deve principalmente pela escolha do nosso repertório”, avalia Scandurra. “O Ira! já tinha mais de 20 anos e muitos discos gravados quando participou do projeto. Pudemos escolher um equilíbrio muito grande entre sucessos e músicas desconhecidas, os lados B.”
A dupla afirma que a essência do grupo permanece intacta. “A nossa música é bem compreendida e até hoje ainda causa o impacto que causava há mais de 40 anos”, diz Nasi. “Mesmo eu e o Edgard tendo crescido muito como músicos e artistas, essa nossa marca registrada não mudou.”
O projeto de 2004 consagrou o encontro entre gerações, com participações de Os Paralamas do Sucesso, Samuel Rosa e Pitty. Para Nasi, o formato acústico também reconectou a banda à tradição do violão. “É o instrumento rei da música brasileira. No acústico, voltamos à essência das composições”, afirma.
O repertório inclui sucessos como “Eu quero sempre mais”, “Envelheço na cidade” e “Dias de luta”, que ganhou nova roupagem. “Conseguimos dar um outro ar para essa música. Era um rock vigoroso com um riff poderoso, e se transformou numa coisa mais lírica”, conta Nasi. No bis, entram faixas como “Mudança de comportamento” e “Tolices”.
O último álbum de inéditas do Ira!, lançado em 2020, teve a turnê interrompida pela pandemia. Nasi considera aquele período um “trauma” e defende o formato álbum diante da era dos singles. “Essa forma de fazer música tira um pouco a capacidade de se criar novos movimentos musicais”, opina.

