Israel ordenou nesta terça-feira (6) que as Forças Armadas aumentassem o nível de alerta às vésperas do terceiro aniversário do ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023, diante de informações de inteligência sobre possíveis novas ações do grupo. O governo advertiu que o Hamas e a população da Faixa de Gaza pagarão um preço alto caso soldados israelenses sejam atacados.
A decisão foi tomada com base em informações “de inteligência sobre as intenções do Hamas de tentar realizar ataques e operações terroristas” durante o aniversário, afirmou o gabinete do ministro da Defesa, Israel Katz. Em comunicado, o órgão declarou que, se as forças israelenses “sofrerem danos, quem pagará um preço alto serão o Hamas e a população de Gaza, de forma desproporcional”.
O chefe do Comando Sul das Forças Armadas de Israel (FDI), major-general Yaniv Asor, também advertiu sobre uma reação militar caso o Hamas ataque civis ou soldados. A declaração foi feita durante cerimônia organizada pelo Conselho Regional de Eshkol para marcar os três anos do ataque. Asor reconheceu o “grande fracasso” das Forças Armadas em proteger Israel em 7 de outubro de 2023 e elogiou a coragem dos moradores da região por “defenderem suas famílias e suas casas” durante a ofensiva liderada pelo Hamas.
— O trabalho ainda não terminou, a jornada de reconstrução não está completa — disse o comandante, que afirmou que “qualquer tentativa de atacar soldados ou moradores do Neguev será recebida com uma resposta dura e poderosa”.
Ainda nesta terça, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, tenente-general Eyal Zamir, o comissário da Polícia de Israel, Daniel Levy, e o chefe do Shin Bet, David Zini, realizaram uma reunião de avaliação “como parte dos preparativos para o período sensível das próximas semanas”, segundo comunicado conjunto. O encontro também tratou das eleições israelenses previstas para 27 de outubro. Na reunião, foram apresentadas avaliações e informações de inteligência sobre as fronteiras de Israel e a frente interna, publicou o Times of Israel.
Os responsáveis pela segurança discutiram esforços para “melhorar e reforçar as defesas, combater grupos terroristas e enfrentar crimes de motivação nacionalista”. Em nota, os chefes dos três órgãos afirmaram que “concordaram com uma série de medidas que aproveitarão as vantagens relativas de cada organização para garantir a realização ordeira e segura das próximas eleições”.
O ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 deixou 1.221 mortos em Israel, segundo contagem da AFP baseada em números oficiais israelenses. Os combatentes também levaram 251 reféns para Gaza, 44 dos quais já estavam mortos. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar que deixou grande parte do enclave palestino em ruínas e matou mais de 74,2 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde do território. Os dados são considerados confiáveis pela ONU. Desde a entrada em vigor de um cessar-fogo, em outubro do ano passado, as forças israelenses, que continuam ocupando parte da Faixa de Gaza, mataram mais de 1.440 pessoas no enclave, segundo o Ministério da Saúde local.
Na segunda-feira (5), durante cerimônia oficial para marcar os três anos do ataque, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Hamas não voltará a governar o território palestino. — Não haverá governo do Hamas em Gaza — afirmou Netanyahu.

