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Itaú BBA eleva Magazine Luiza para compra e vê alta de 31%

Carla Fernandes
Última atualização: 13 de outubro de 2026 11:24
Carla Fernandes
Tempo: 4 min.

O Itaú BBA elevou a recomendação das ações do Magazine Luiza (MGLU3) de market perform para outperform, equivalente a compra, e aumentou o preço-alvo de R$ 10 para R$ 16 por ação até o fim de 2027, um potencial de alta de 31% sobre o fechamento da semana passada. A mudança ocorre após o papel disparar cerca de 60% na semana anterior, a maior alta do Ibovespa no período, impulsionada pelo rali eleitoral pós-primeiro turno e pela expectativa de juros mais baixos.

Os analistas liderados por Rodrigo Gastim afirmam que a combinação entre queda dos juros, ganho de participação de mercado e revisões positivas de resultados faz com que “as estrelas se alinhem” para a varejista. Segundo o banco, o Magazine Luiza é provavelmente a empresa mais sensível à redução da taxa básica dentro de sua cobertura.

Pelos cálculos do Itaú BBA, cada corte de 100 pontos-base na curva de juros adiciona cerca de 11% ao lucro por ação da companhia. O relatório estima uma dívida líquida ajustada próxima de R$ 13 bilhões, incluindo recebíveis descontados, o que torna os custos financeiros bastante sensíveis ao comportamento das taxas.

O banco passou a trabalhar com um ambiente de juros reais mais próximos de 6%, patamar considerado por muitos investidores como um cenário normalizado para o Brasil. A expectativa de continuidade da flexibilização monetária levou os analistas a reverem as projeções para a varejista.

Além dos juros, o Itaú BBA vê uma oportunidade relevante de crescimento a partir das dificuldades enfrentadas pelo Grupo Casas Bahia (BHIA3). O processo de recuperação judicial e o fechamento de aproximadamente 29% da rede de lojas físicas da concorrente podem abrir espaço para uma transferência expressiva de vendas para o Magalu, segundo a análise.

A proximidade física favorece esse movimento. Cerca de dois terços das lojas fechadas pela Casas Bahia possuem uma unidade do Magalu a menos de 400 metros de distância. O banco compara a situação ao que ocorreu anos atrás com a Máquina de Vendas, quando o enfraquecimento da concorrente acelerou o crescimento das vendas nas mesmas lojas do Magazine Luiza.

A estimativa é que a companhia possa capturar cerca de R$ 7,5 bilhões adicionais em vendas até 2027, com impacto potencial de aproximadamente R$ 300 milhões no lucro líquido. Os marketplaces também aparecem como um terceiro vetor, com a entrada recente do Magazine Luiza nas plataformas do Mercado Livre e da Amazon. Segundo os analistas, a companhia já registrou cerca de 330 mil vendas no Mercado Livre desde o lançamento em setembro, com ritmo diário aproximadamente 25% superior ao observado pela Casas Bahia após sua entrada na plataforma.

O Itaú BBA agora projeta lucro líquido de R$ 776 milhões em 2027, contra projeções anteriores de cerca de R$ 266 milhões. Para 2028, a previsão sobe para R$ 1,18 bilhão. A receita líquida estimada para 2027 passou para R$ 45,4 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado foi elevado para R$ 3,7 bilhões. O banco projeta ainda crescimento das vendas mesmas lojas próximo de 18% em 2027. Apesar da valorização recente, os analistas argumentam que boa parte do movimento refletiu apenas a primeira etapa da queda dos juros, e que a continuidade da redução das taxas para a faixa de 5,5% a 6% reais e a materialização dos ganhos de mercado ainda não estão totalmente incorporadas às cotações. Os desafios estruturais, como o aumento da concorrência no varejo online, a necessidade de transformar crescimento em geração de caixa e os riscos de interrupção do ciclo de queda de juros, seguem no radar dos investidores.

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