O deputado federal André Janones (Rede-MG) defendeu nesta terça-feira (13) o canal de transmissão “Exército do Lula”, no WhatsApp, e afirmou a jornalistas que o grupo “combate sem mentira”. A declaração ocorreu após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar o registro do canal, que tem cerca de 3,3 milhões de seguidores.
O canal foi registrado no TSE após decisão do presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques. Na decisão, ele afirmou que a obrigação de comunicar os canais utilizados para propaganda eleitoral também se aplica a espaços públicos de aplicativos de mensagens.
Janones disse que o grupo foi criado para responder a ataques da oposição. “Eles nos assustaram. Então a gente ficou com medo de discordar, a gente passava a ter medo de fazer um comentário, porque vinha a tropa deles toda para nos atacar”, afirmou. “Agora a gente montou um exército que combate isso, mas combate sem mentira, combate com o bem.”
O deputado negou que o canal tenha veiculado fake news. “Vem uma decisão em que se cria uma fake news para derrubar o canal. Aí sim foi uma fake news, porque foi dito que o canal estava a distribuir fake news”, declarou. Ele também disse que “não precisa que as pessoas acreditem na minha palavra”, citando os 3,4 milhões de seguidores como testemunhas.
A campanha do presidente Lula (PT) registrou o canal no TSE por meio do Núcleo de Gerenciamento de Sistemas e Dados Partidários (NGDAP) da Secretaria Judiciária da Corte. Apesar do registro, a campanha não assumirá o controle do canal nem admitirá que ele fizesse parte da campanha anteriormente. A determinação atendeu a um pedido do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Nunes Marques considerou que a atuação de Janones e a vinculação pública do canal à campanha de Lula demonstram seu uso eleitoral. “A ausência de registro do canal, por si só, já justificaria sua suspensão”, escreveu. A análise técnica identificou orientações para que seguidores compartilhassem conteúdos “ANTES MESMO DE ASSISTIR”, além de convocações com horários definidos e expressões como “AGORA” e “EXPLODAM”.
O ministro ressaltou que os dados disponíveis não permitem afirmar que o canal seja uma estrutura dedicada à desinformação. A eventual responsabilização pelo uso irregular será analisada em procedimentos próprios e poderá alcançar o administrador, a coligação e os candidatos. Há 13 processos envolvendo Janones que fazem referência a notícias falsas ou desinformação, sendo sete relacionados às eleições de 2022 e seis às de 2026.

