O embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi, disse nesta terça-feira (6) que há expectativa de que o Brasil se torne um exportador de hidrogênio verde. A declaração foi dada no Fórum Brasil Export, em São Paulo, com a presença de empresários do setor de infraestrutura.
Noguchi afirmou que a experiência japonesa pode ajudar a resolver desafios como armazenamento em grande escala, logística internacional e infraestrutura portuária no Brasil. “Acreditamos que essa visita contribuirá para a resolução de desafios como armazenamento em grande escala, a logística internacional e o desenvolvimento da infraestrutura portuária no Brasil, país que se espera que se torne, no futuro, um país exportador de hidrogênio e hidrogênio verde”, declarou, referindo-se à missão do Brazil Export ao Japão.
O hidrogênio verde é produzido, em geral, pela eletrólise da água usando eletricidade de fontes renováveis. O processo permite obter o combustível sem as emissões associadas à produção convencional a partir de combustíveis fósseis.
O Brasil é apontado como um país com condições favoráveis para desenvolver essa indústria por causa da elevada participação de fontes renováveis em sua matriz elétrica. Estudos indicam a necessidade de investimentos em transporte e distribuição para conectar áreas de produção e consumo.
O hidrogênio pode ser usado como insumo industrial, na produção de fertilizantes e no refino de petróleo, e como fonte de energia em setores de difícil eletrificação, como transporte pesado. Também pode funcionar como forma de armazenar energia produzida por fontes renováveis.
Um dos principais entraves para ampliar seu uso está na logística. O hidrogênio tem baixa densidade energética por volume e seu transporte exige compressão, liquefação a temperaturas muito baixas ou conversão em derivados, como a amônia. Essas alternativas elevam os custos e exigem infraestrutura específica de armazenamento.
Noguchi citou como exemplo de sucesso logístico a base de recebimento de hidrogênio do porto de Kobe, no Japão. O espaço integra uma rede de abastecimento e transporte de combustível. A instalação está entre os locais marcados na missão do Brazil Export ao Japão, em novembro.
O país ainda não exporta o combustível, apesar de seu grande potencial. Noguchi disse que o Japão está disposto a colaborar no setor. Ele citou investimentos de empresas japonesas nos portos de Itaqui e São Francisco do Sul, ligados à logística do agronegócio, e o financiamento japonês a obras de mobilidade na região metropolitana de Belém.

