Reeleito governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), 61, afirmou que o eleitor não está frustrado com o presidente Lula (PT), mas passou a exigir mais do petista. Em entrevista à reportagem, ele disse que a imagem de Lula dos mandatos entre 2003 e 2010 já não produz o mesmo efeito e que a campanha do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL) precisa combinar democracia com questões do cotidiano.
Jerônimo passou a quinta-feira (8) em reuniões com prefeitos aliados para definir estratégia de ampliar a votação de Lula na Bahia, onde o presidente teve frente de 3,2 milhões de votos, inferior à de 2022. O governador disse que a meta é reverter o cenário para uma virada inédita na eleição presidencial.
“Sabíamos que seria uma eleição dura, com um riscado no chão”, afirmou. Para ele, os dois projetos no segundo turno são “muito diferentes na forma de tratar as pessoas, no relacionamento com a democracia, na defesa da soberania nacional”.
Questionado se soberania e democracia são temas etéreos para o eleitor preocupado com o preço da comida, Jerônimo respondeu que “é etéreo para quem não compreende o percurso de uma democracia”. Ele citou a própria origem pobre e programas como moradia e asfalto em zona rural para defender que esses temas “determinam as outras” coisas.
Sobre o apoio de ACM Neto (União Brasil), derrotado na disputa pelo governo baiano, a Flávio Bolsonaro, Jerônimo ironizou: “Ele perdeu e vai perder de novo”. O governador disse que Neto “pregou o voto Lula-Neto” e questionou a rapidez da mudança de posição. “Que fluidez, que interesse. Mas é bom que o povo saiba quem é ACM Neto.”
Jerônimo também criticou as declarações de Flávio Bolsonaro sobre mudanças na Constituição. “Todo mundo conhece o modelo golpista por trás deles, são golpistas. É um risco muito grande”, disse.
Para o segundo mandato, o governador listou como prioridades a universalização da educação em tempo integral, a saúde pública e a segurança. “A expectativa do próximo mandato é com Lula”, afirmou. Sobre a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, foi direto: “Ele vai perder as eleições”.

