Jovens parlamentares de esquerda pediram a radicalização da disputa eleitoral em ato de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite desta terça-feira (13), no Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. A manifestação teve discursos agressivos, ofensas a adversários políticos e a hostilização de um jornalista da Jovem Pan.
O tom mais radical partiu de parlamentares recém-eleitos, que ocuparam o centro do palco e defenderam o confronto político. Leonardo Grandini (PT), de 24 anos, eleito pela primeira vez para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), afirmou que será o maior adversário do governador Tarcísio de Freitas no Estado. Ele defendeu a “resistência” e declarou que agora é “guerra”, depois de entoar com o público um coro com palavrões contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Duda Hidalgo (PT), de 27 anos, eleita deputada estadual por Ribeirão Preto, também adotou discurso combativo. Ao defender o direito das mulheres de “serem o que quiserem”, a parlamentar, que se declara bissexual, encerrou a fala com um trecho de um jingle de oposição a Flávio Bolsonaro com referência sexual explícita.
A deputada federal eleita Natália Boulos (Psol) afirmou que os apoiadores de Lula podem “contar com ela para amassar os bolsonaristas no Congresso”. Sofia Favero (Psol), terceira mais votada para a Alesp, também atacou adversários. “Travestis são o terror dos fascistas”, disse. Em seguida, declarou: “E vamos colocar a Eduarda Campopiano na lata de lixo da história”, em referência à vereadora de Praia Grande eleita deputada estadual com o maior número de votos do país.
Os deputados Guilherme Cortez e Erika Hilton, ambos do Psol, pediram mobilização nos 12 dias seguintes e se apresentaram como adversários de Flávio Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). “Temos o dever de virar voto e reeleger o presidente Lula. Somos chamados à resistência, à valentia”, afirmou Hilton. “Eles vão perder pela arrogância porque ninguém é capaz de frear um povo que sabe o que está em jogo”, acrescentou.
Os ex-ministros Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) acompanharam os discursos. O público também assistiu a um vídeo da cantora Anitta, transmitido em um telão, no qual ela pediu que os eleitores identificassem quais candidatos defendem o fim da escala de trabalho 6×1.
O jornalista João Vitor Revedilho, da Jovem Pan, foi hostilizado por um grupo de militantes durante a manifestação. Ele precisou ser escoltado por integrantes da segurança de Haddad e pela vereadora Luna Zarattini para deixar o local. Quando segurou o microfone da emissora, manifestantes passaram a gritar “fascistas”, com insultos direcionados também a outros jornalistas. Segundo relato do portal Uol, um grupo chegou a jogar gelo no profissional. Haddad telefonou para o repórter depois do episódio para manifestar solidariedade.
Em nota, os organizadores repudiaram as hostilidades. “Atitudes que cerceiam a liberdade de imprensa são inaceitáveis e não podem ser toleradas”, diz o comunicado. A organização acrescentou que a manifestação foi planejada como um ato “pacífico, democrático e em defesa de direitos”. O ato foi a segunda manifestação pró-Lula em São Paulo desde domingo (11), quando apoiadores ocuparam sete quarteirões da Avenida Paulista. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio recebeu 47% dos votos, enquanto Lula obteve 45%.


