O líder do movimento estudantil indiano conhecido como Partido do Povo das Baratas (CJP), Abhijeet Dipke, de 31 anos, foi libertado neste sábado (17) em Nova Délhi, um dia após ser detido durante manifestação contra a revisão dos registros eleitorais. A medida é considerada pelo grupo favorável ao primeiro-ministro Narendra Modi.
Dipke deixou a delegacia na tarde deste sábado, cumprimentou a imprensa e fez o sinal de vitória de dentro de um carro, segundo um fotógrafo da agência AFP.
“Abhijeet Dipke, libertado”, anunciou nas redes sociais Ratna Singh, responsável pelos assuntos jurídicos do movimento das “baratas”, que desde maio se tornou porta-voz do descontentamento da juventude indiana.
A oposição e o CJP acusam a comissão eleitoral de realizar uma revisão dos registros que beneficia apenas o bloco de Modi, no poder desde 2014. A comissão nega qualquer irregularidade.
Outros dois dirigentes do CJP, Ashutosh Ranka e Saurav Das, permanecem detidos. Eles foram presos em 14 de outubro por entrarem no recinto de Jantar Mantar, local histórico de concentração de protestos na capital indiana, onde as autoridades proíbem qualquer manifestação, e agitarem bandeiras indianas.
Na noite de sexta-feira, milhares de policiais e um número equivalente de barricadas foram mobilizados no centro de Nova Délhi, onde centenas de jovens se reuniram em resposta à convocação do CJP.
A reforma eleitoral, iniciada no ano passado para eliminar dos registros as duplicatas, os nomes de pessoas falecidas e as inscrições fraudulentas, permitiu excluir 130 milhões de eleitores registrados, segundo dados divulgados pela imprensa e pela oposição. Seus críticos suspeitam que a medida vise principalmente as minorias, em particular os muçulmanos, em benefício do Partido Popular Indiano (BJP), de Modi, o que coloca em dúvida a legitimidade de suas recentes vitórias em eleições locais.


