A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) impôs nova regra para a retirada de pulseiras de frisas na Marquês de Sapucaí: os seis ocupantes precisam comparecer juntos, com biometria cadastrada. A medida gerou reclamações de foliões, principalmente os que vêm de outros estados. A Comissão de Direitos do Consumidor da Alerj oficiou a Liesa e a Ticketmaster nesta terça-feira (13).
Pela regra apresentada, os seis participantes vinculados a cada frisa precisam estar juntos no local de retirada, com a biometria facial previamente cadastrada. A orientação proíbe a retirada parcial ou por terceiros. Assim, a ausência de um integrante impede que os demais retirem suas pulseiras, mesmo que o espaço já esteja integralmente pago.
Segundo a Alerj, o principal questionamento envolve a informação oferecida antes da compra. No comunicado de 9 de setembro, a Liga informou que cada frisa comportaria seis pessoas, com preços entre R$ 1.835 e R$ 10.200, limite de uma unidade por CPF e pagamento exclusivamente por Pix. O anúncio não mencionou a obrigação de comparecimento simultâneo nem a proibição de retirada parcial ou por representante.
Do Espírito Santo, a social media Amanda Ferreira, de 24 anos, comprou a frisa com amigos e seria a representante do grupo para buscar os ingressos. Segundo ela, as condições de retirada não estavam explícitas no momento da compra. “Para mim estava tranquilo. Quando soube da regra nova, pensei: ‘impossível’. Eu não sou do Rio e as outras pessoas também não, por mais que esteja todo mundo junto, não tem como se organizar pra ir”, contou.
A Ticketmaster Brasil informou que as regras e condições para a comercialização dos ingressos, incluindo os procedimentos de identificação e retirada das credenciais, são definidas pela organização dos eventos. A empresa atua apenas como parceira tecnológica, fornecendo a plataforma e os serviços necessários para operacionalizar a venda conforme as diretrizes da organizadora.
Questionada, a Liesa afirmou que os procedimentos de acesso ainda estão sendo definidos, mas não esclareceu se a exigência está mantida. Segundo a entidade, o objetivo é encontrar uma forma de atender o público e combater o cambismo ao mesmo tempo. O formato escolhido será divulgado nos canais oficiais da Liga assim que houver decisão definitiva.
A Liga também reafirmou o compromisso de garantir o acesso, a recepção e a acomodação de todos os compradores de ingressos, nas frisas e demais setores da Sapucaí. A resposta, contudo, não detalhou como essa garantia será operacionalizada para grupos que não consigam cumprir a exigência de retirada conjunta.

