O governo de Portugal anunciou nesta quarta-feira (14) que a alemã Lufthansa venceu a disputa para comprar 44,9% da TAP Air Portugal. A Air France-KLM também disputava a participação na companhia. A proposta da Lufthansa foi 16% maior que a da rival, em operação de € 1,201 bilhão nesta primeira fase.
A operação resulta em valorização total da TAP de € 2,552 bilhões. Em 2023, a avaliação da companhia era de entre € 700 milhões e € 1,709 bilhão; depois, caiu para € 350 milhões, segundo o governo português.
O Estado português continuará com 50,1% das ações, mantendo maioria do capital e controle da companhia. A Lufthansa ficará responsável pela gestão executiva e operacional. A marca TAP será preservada, assim como a conectividade com as regiões autônomas e o reforço das ligações estratégicas.
Na segunda fase, prevista até 2028, o governo poderá trocar o capital remanescente por participação na holding do grupo. A oferta inclui mais € 480 milhões e possibilidade de permuta de ações, o que pode colocar Portugal como segundo maior acionista da Lufthansa.
A proposta prevê ainda € 500 milhões para criação de uma nova escola de pilotos, além de centro de inovação e serviços corporativos. Com a nova configuração, 5% das ações serão reservadas preferencialmente aos trabalhadores da TAP.
No Brasil, a TAP atende 15 cidades, com 17 rotas para Lisboa e Porto. O país responde por 30% das receitas do grupo. A Lufthansa opera voos do Rio de Janeiro e de São Paulo para a Alemanha.
A empresa, fundada em 1945, recebeu bilhões em ajuda estatal na pandemia e registrou prejuízo de € 99 milhões no primeiro semestre, pressionada por custos de combustível. A análise da Comissão Europeia deve levar entre 18 e 24 meses; a cogestão deve começar ainda neste ano, segundo fontes.


