O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputa neste domingo (4.out.2026) o 4º mandato, aos 80 anos, em uma eleição na qual o partido chega sem um sucessor claro. Entre petistas e integrantes do governo, o diagnóstico é que Lula concentrou as decisões e não abriu espaço para outro nome do PT.
A esquerda chega às urnas sem um herdeiro claro. O partido orbita em torno de um único líder há mais de 4 décadas. Lula é o único presidente do Brasil de origem operária e o único eleito 3 vezes pelo voto direto.
A idade virou assunto central desde que Lula sofreu uma queda no Palácio da Alvorada, em outubro de 2024, e passou por uma cirurgia na cabeça. Em fevereiro de 2025, condicionou uma nova candidatura à sua saúde. Pesquisa PoderData de julho de 2025 mostrou que 50% dos eleitores consideravam a idade de Lula “um problema” para um novo mandato.
Em 23 de outubro de 2025, na Indonésia, pouco antes de completar 80 anos, tirou a dúvida: “E vou disputar um 4º mandato no Brasil”. Disse estar com a mesma energia de quando tinha 30 anos. O PT oficializou a candidatura em 2 de agosto de 2026.
Na reta final da campanha, Lula transformou a idade em argumento eleitoral. Em comício em Fortaleza, na 3ª feira (29.set), pediu que eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, não deixassem de votar: “A vida da gente não termina aos 70”.
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Caetés (PE), Lula era o caçula de 8 filhos de dona Lindu e Aristides Inácio da Silva. Começou a trabalhar aos 12 anos e se formou torneiro mecânico pelo Senai. Em 1964, aos 18 anos, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente na metalúrgica Independência.
Entre 1978 e 1980, Lula liderou greves que mobilizaram milhares de metalúrgicos no ABC paulista. Em 10 de fevereiro de 1980, ajudou a fundar o PT, em uma reunião no Colégio Sion, em São Paulo. A vitória veio em 2002, na 4ª tentativa, quando derrotou José Serra com 61% dos votos no 2º turno.
Lula deixou o Planalto em 2010 com 87% de aprovação, um recorde, e elegeu Dilma Rousseff (PT) como sucessora. A Lava Jato levou Lula à prisão em 7 de abril de 2018, em Curitiba, onde ficou por 580 dias. Em março de 2021, Edson Fachin, do STF, anulou as condenações por considerar que a vara de Curitiba não tinha competência para julgar os casos.


