O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15) que os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, estão implicados no caso Banco Master, e fez referência a um quarto integrante da Corte sem citar nome. A declaração foi dada em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo.
Questionado pela jornalista Renata Lo Prete, que apontou Moraes como o ministro até então mais implicado nas suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro, fundador do Master, Lula respondeu: “Era o mais implicado. O Toffoli também está implicado. O André Mendonça também está implicado. E o quarto está implicado. Agora está todo mundo implicado”.
O presidente defendeu que as investigações não se concentrem em apenas um integrante do Tribunal. A fala ocorre em meio à maior crise de reputação da história do STF, segundo a entrevistadora.
Lula também foi questionado sobre o pedido de vista do ministro Flávio Dino, indicado por ele ao Supremo, que interrompeu a análise de uma investigação sobre a conduta de Moraes. “Eu não tenho como interferir na decisão de um ministro da Suprema Corte. Eles pedem vista quando querem pedir vista”, afirmou.
Segundo Lula, Dino pretendia que os casos envolvendo diferentes ministros fossem analisados na mesma sessão. “Porque a denúncia paira sobre todos”, disse. O petista afirmou não ter condições de avaliar juridicamente a decisão, mas defendeu a apuração das suspeitas e a responsabilização de eventuais envolvidos.
“Não tem como imaginar que a sociedade vai aceitar que se coloque um tapete em cima disso e se esqueça o que aconteceu”, declarou. O presidente disse ter conversado três vezes com o presidente do STF, Edson Fachin, sobre a necessidade de investigar as suspeitas. “Ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte”, afirmou.
Lula também defendeu uma nova reforma do Judiciário, com discussão sobre critérios de indicação de ministros, mandatos e vínculos de integrantes da Corte com escritórios de advocacia. Segundo ele, o debate será “irreversível” em 2027. O petista citou a reforma feita em seu primeiro mandato com Nelson Jobim e Márcio Thomaz Bastos.
Indagado se a crise do STF afetou seu desempenho no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula disse não ter avaliação, mas afirmou que a extrema direita tenta associar seu governo às decisões do Tribunal. Ele disputa o segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro.

