Na reta final para o primeiro turno das eleições, o presidente Lula (PT) quer mobilizar idosos para votar visando conter a abstenção nas urnas, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) pretende usar o debate da TV Globo desta quinta-feira (30) para atrair eleitores indecisos e de outros candidatos da direita.
Uma das preocupações da campanha do presidente é com a participação de pessoas com 70 anos ou mais, que não são mais obrigadas a votar. A equipe avalia que o grupo pode ser decisivo na disputa porque apoia Lula em maior proporção do que o público geral e tem maior índice de abstenção.
Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (28) mostra que a vantagem de Lula sobre Flávio é numericamente maior entre eleitores com 60 anos ou mais. Enquanto o petista tem 40% das intenções de voto nessa faixa, Flávio tem 32%. No público geral, o percentual é de, respectivamente, 39% a 34%. A margem de erro geral é de 2 pontos, e a do recorte etário, de 5 pontos.
Em 2022, 20,3% dos eleitores não compareceram às urnas. Esse percentual, porém, foi de 39% na faixa de 70 a 74 anos, e aumentou nos estratos com mais idade. Lula tem dedicado parte de seus discursos públicos para motivar esse eleitorado a sair de casa no domingo (4) para votar. “Se não quer votar por você, vote pelo seu neto, vote pelos seus filhos, vote pelo Brasil”, declarou em Fortaleza na terça-feira (29).
Aliados do presidente apostam que a possibilidade de usar a participação na eleição como prova de vida perante o INSS ajudará a motivar pessoas com mais de 70 anos. A votação passou a ser considerada como comprovação para o benefício a partir de uma portaria de 2022.
Coordenador do programa de governo de Lula, o ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli diz que os eleitores mais idosos já viveram a experiência do governo Bolsonaro e que isso beneficiaria Lula nesse segmento. “Principalmente com 70 anos ou mais, [o eleitor] não tem obrigação de votar e já está meio cansado”, declarou.
Dentro do Porta Vozes de Lula, rede de mobilização da campanha do petista, mais de 40 mil integrantes têm mais de 60 anos, segundo a campanha. Outro grupo que deve ter atenção especial na reta final é a população da periferia de grandes cidades. Devem ser organizados eventos em diversos locais até a eleição para animar esse público a ir votar.
Integrantes da campanha petista avaliam que Flávio Bolsonaro chega à reta final em posição mais defensiva, por causa da notícia falsa da qual foi alvo sobre a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora de Aparecida e por reportagem que o ligou a garotas de programa e ao recebimento de um relógio Rolex. O foco da campanha do PL continua no voto útil, ou seja, desviar para Flávio votos dos demais candidatos da direita sem chances de ir ao segundo turno, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). Outra aposta de Flávio é a participação no debate da TV Globo, marcado para começar a partir das 21h20 desta quinta, logo depois do Jornal Nacional. Lula não vai comparecer.


