O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, terá de quebrar um tabu para permanecer no cargo: desde a redemocratização, nenhum candidato que liderou o primeiro turno da disputa presidencial perdeu a eleição no segundo turno. No domingo (4), Flávio Bolsonaro (PL) terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista.
A primeira disputa presidencial direta da redemocratização ocorreu em 1989. Naquele ano, Fernando Collor de Mello terminou o primeiro turno na frente do próprio Lula, com 30,47% dos votos contra 17,18%. No segundo turno, Collor confirmou a eleição com 53,03% dos votos, contra 46,97%.
Depois de duas eleições definidas no primeiro turno, com Fernando Henrique Cardoso (PSDB) vencendo em 1994 e 1998, o Brasil voltou a ter segundo turno em 2002. Lula terminou a primeira etapa na liderança, com 46,44% dos votos válidos, seguido por José Serra (PSDB), com 23,19%. Na segunda votação, o petista se elegeu presidente pela primeira vez com 61,27%, contra 38,73% de Serra.
Em 2006, Lula saiu na frente com 48,61% dos votos válidos, enquanto o hoje vice, Geraldo Alckmin (PSDB), ficou com 41,64%. No segundo turno, Lula aumentou a diferença e buscou a reeleição com 60,83%, contra 39,17%.
Em 2010, Dilma Rousseff (PT) recebeu 46,91% dos votos no primeiro turno, contra 32,61% de Serra. A confirmação da vitória veio no segundo pleito, com 56,05% da petista contra 43,95% do tucano. A história se repetiu em 2014, quando Dilma enfrentou Aécio Neves (PSDB) e terminou o primeiro turno com 41,59% e seu adversário com 33,55%. No segundo turno, a reeleição veio por 51,64% a 48,36%.
Em 2018, Jair Bolsonaro (então no PSL), pai de Flávio, também terminou a primeira parte das eleições na liderança, com 46,03% dos votos válidos, contra 29,28% de Fernando Haddad (PT). No segundo turno, Bolsonaro venceu com 55,13%, contra 44,87% de Haddad, que nesta eleição de 2026 perdeu o governo de São Paulo para Tarcísio de Freitas e está sem mandato.
Lula voltou ao cenário político disputando a presidência com Jair Bolsonaro, que buscava a reeleição. O primeiro turno fechou com 48,43% dos votos para o candidato do PT, contra 43,20% de Bolsonaro. No segundo, o petista foi eleito com 50,90%, enquanto Bolsonaro, até o momento o único presidente em mandato a não conquistar a reeleição, teve 49,10%. A diferença foi de apenas 1,8 ponto, a margem mais apertada desde a redemocratização.
Lula e Flávio terão agora 21 dias para trabalhar na campanha e tentar reverter, ou confirmar, os 1,87 ponto percentual de vantagem do bolsonarista, conquistado no primeiro turno. A segunda e última votação será realizada no dia 25 de outubro.


