O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou nesta terça-feira (13) que Lula participará dos debates do 2º turno na Band e na Globo, após ter optado por não comparecer no 1º turno. A decisão, segundo ele, reflete a vontade do presidente de um “confronto direto” com Flávio Bolsonaro (PL).
Em entrevista ao Jornal da CBN, Edinho explicou que a mudança ocorreu porque Lula quer o “confronto direto com o Flávio. Quer mostrar ao povo brasileiro o que o Flávio representa e o que ele representa”. O objetivo, segundo o dirigente petista, é evidenciar as diferenças entre os dois projetos políticos.
Na entrevista, Edinho também criticou o candidato adversário, citando o que classificou como vínculo de Flávio com o crime organizado do Rio de Janeiro, a condecoração concedida ao assassino de Marielle Franco e propostas que, segundo ele, resultariam no congelamento do salário mínimo, em cortes no BPC e no enfraquecimento do SUS. Classificou ainda como “oportunista” a mudança de posição sobre o fim da escala 6×1.
O presidente do PT reconheceu que a campanha de Lula cometeu erros no 1º turno e que as cobranças feitas pelo presidente são legítimas. “O presidente Lula tem todo o direito de fazer as cobranças que ele fez e nós, claro, trabalhamos muito para fazer as correções”, afirmou. Edinho admitiu falhas na produção de materiais de campanha e na coordenação entre os diretórios estaduais, resultado de uma tentativa de descentralizar a gestão que não funcionou como esperado.
Como apurado pela imprensa, Lula disse que a campanha atual foi a menos organizada desde 1989, em declaração feita em 7 de outubro, durante plenária com congressistas jovens do PT, em Brasília. Segundo Edinho, a estratégia de dar autonomia aos Estados buscava agilizar a solução de problemas locais, mas resultou em falta de articulação. “É evidente que tivemos falhas, principalmente na produção de materiais no 1º turno”, disse.
O dirigente afirmou que os problemas já foram corrigidos e que a campanha para o 2º turno está “andando muito bem”. Ele também reconheceu falhas no diálogo com aliados que apoiaram Lula no 2º turno de 2022. “Acho que nós poderíamos ter dialogado mais com os setores que vieram conosco no segundo turno. Essa pode ter sido uma falha”, declarou, acrescentando que o governo se concentrou na reconstrução de políticas públicas e deixou de manter um canal de diálogo mais direto com esses grupos.
Questionado sobre o sentimento de mudança entre os eleitores, Edinho não negou essa percepção, mas afirmou que Lula é o candidato mais capaz de conduzir as transformações de que o país precisa. “Olha, nós sabemos que o Brasil precisa de uma reforma política eleitoral, nós sabemos que o Brasil precisa de uma reforma do Poder Judiciário, mas, se tem alguém capaz de conduzir essas reformas, é o presidente Lula”, afirmou.


