A Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, e a PUC-Rio proibiram eventos político-partidários em seus campi até o fim do período eleitoral, citando riscos à segurança. A decisão foi divulgada após convocações de grupos pró-Lula e pró-Flávio Bolsonaro. Na terça-feira (13), manifestantes bolsonaristas debocharam da morte da vereadora Marielle Franco em ato fora da PUC-Rio.
O acirramento do clima político e a proximidade do segundo turno levaram as duas instituições a vedar manifestações organizadas por estudantes favoráveis às candidaturas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). As reitorias justificaram a medida pela necessidade de preservar a segurança e a integridade física da comunidade acadêmica.
Na PUC-Rio, a decisão foi divulgada na segunda-feira (12), em nota assinada pelo vice-reitor Renato Callado. O comunicado saiu na véspera de duas mobilizações marcadas para terça-feira (13) no campus. O grupo “A PUC também é nossa”, simpatizante de Flávio Bolsonaro, previa manifestação contra decisões do STF e gastos públicos. O coletivo “PUC-Rio Antifascista” organizava encontro de apoio à reeleição de Lula.
Após o comunicado, os grupos mantiveram os atos fora da universidade e trocaram ofensas na manhã de terça-feira. Em um dos momentos, o influencer Breno Faria, candidato a deputado federal pelo PL no Rio que recebeu 27.088 votos e não foi eleito, debochou da morte de Marielle Franco, ex-aluna da PUC-Rio assassinada em 2018. “Marielle tá no céu, com papai do céu. Ou não, né? Ou tá no colo do capeta”, afirmou. Ele não se pronunciou.
Luyara Franco, filha de Marielle, publicou vídeo nas redes sociais defendendo a mãe. “Zombar do assassinato de Marielle Franco não é opinião. Não é debate. Não é liberdade de expressão. É violência política”, disse. Em comunicado, a reitoria da PUC-Rio reafirmou o dever de zelar pela segurança e integridade de estudantes, professores e funcionários.
Dias antes, o Mackenzie, em Higienópolis, vetou qualquer atividade partidária no campus. A medida veio após convocação do grupo “Mackenzie com Lula”, que pretendia realizar assembleia de apoio ao candidato do PT. A direção citou manifestações de preocupação da comunidade acadêmica e a ausência de autorização prévia para o encontro.


