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Magalu, Smart Fit e MRV sobem até 49% após 1º turno

Carla Fernandes
Última atualização: 16 de outubro de 2026 07:32
Carla Fernandes
Tempo: 5 min.

As ações de Magazine Luiza, Smart Fit e MRV dispararam após o primeiro turno das eleições, com altas de até 49,28% entre 2 e 13 de outubro, puxadas pela queda dos juros futuros. Agora, analistas avaliam se as empresas conseguem sustentar o novo patamar de preços com resultados.

Entre o fechamento de 2 de outubro, último pregão antes do primeiro turno, e o de 13 de outubro, Magazine Luiza (MGLU3) subiu 49,28%, Smart Fit (SMFT3) avançou 40,95% e MRV (MRVE3) ganhou 32,86%, ficando entre as maiores altas do Ibovespa no período. O gatilho comum foi a queda dos juros futuros, com o DI para janeiro de 2029 passando de 13,75% na sexta-feira (2) para 12,65% na segunda-feira (5).

Para Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, o que move os preços é a taxa de desconto, e não o setor. “A taxa de desconto traz uma sensibilidade muito grande para os valuations”, diz. Reagem mais, segundo ele, as empresas dependentes do Brasil e com dívida líquida entre 20% e 40% do valor da firma, já que a redução dessa dívida se transformaria em valor para o acionista.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro, e a pesquisa Quaest de 14 de outubro mostrou empate técnico, com Flávio Bolsonaro (46%) numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (44%). Diante desse cenário, Régis Chinchila, analista de research da Terra Investimentos, avalia que a alta “representa uma reprecificação de expectativas, não a confirmação de uma mudança de governo”. A dúvida é se as empresas conseguem entregar resultados compatíveis com o novo preço.

No caso do Magalu, a valorização após o primeiro turno ocorreu sem fato corporativo do mesmo porte da alta de setembro, quando a ação saltou 61% com acordo com o Mercado Livre e a revogação pela Anvisa da medida que impedia a venda de medicamentos. Maria Carolina Luchesi, analista da Hike Capital, observa que a segunda perna coincidiu com a queda da curva de juros. Mateus Hammes, head de investimento da Ludo Capital, estima que dois terços ou mais dessa alta vêm de eleição, juros e dólar.

Os juros pesam também no resultado do Magalu. No segundo trimestre, o resultado financeiro negativo de R$ 572 milhões consumiu cerca de 81% do Ebitda ajustado. Pelas contas de Hammes, cada ponto percentual a menos de juros acrescentaria cerca de R$ 86 milhões ao lucro anual, suficiente para cobrir o prejuízo ajustado de R$ 84 milhões do primeiro semestre. As projeções, porém, ainda não acompanharam o preço: o Itaú BBA elevou a recomendação para compra, com preço-alvo de R$ 16 para o fim de 2027, mas a média dos preços-alvo está abaixo da cotação.

Na Smart Fit, o efeito direto no lucro é pequeno, mesmo com dívida líquida de R$ 4,6 bilhões. O peso está na taxa de desconto: reduzir o custo de capital de 16% para 14% eleva o múltiplo justo em um terço, segundo Hammes. Com a ação a R$ 24,76 no fechamento de 14 de outubro, o preço-alvo de R$ 30 de Citi e Terra passou de um potencial de cerca de 70% para cerca de 21%. A execução é o ponto de atenção, com 98 academias abertas no primeiro semestre contra meta de 330 a 350 no ano.

A MRV foi a única das três que trouxe novidade da própria operação: a prévia do terceiro trimestre mostrou vendas líquidas recordes de R$ 3,04 bilhões, alta de 29,6% em um ano, e a ação subiu 22% no dia seguinte. A ressalva está no caixa, com geração ajustada caindo de R$ 149 milhões para R$ 19 milhões no trimestre, com impacto estimado de R$ 80 milhões da greve da Caixa. O BTG manteve compra e preço-alvo de R$ 8, abaixo dos R$ 12 que projetava em abril.

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