O Magazine Luiza (MGLU3) encerrou setembro como a ação de melhor desempenho do Ibovespa, com alta de 61,47%, para R$ 7,46. O rali foi impulsionado pela parceria com o Mercado Livre, pela redução da Selic e pelas expectativas em torno das eleições, mas analistas recomendam cautela.
O movimento ocorreu em um mês em que o Ibovespa avançou 5,03%. A combinação de fatores incluiu o chamado “trade de juros”, favorecido pela queda da Selic para 13,75% após cinco cortes consecutivos do Banco Central, e uma sequência de notícias corporativas.
O impulso mais evidente veio do acordo anunciado no início de setembro com o Mercado Livre. A parceria permite ampliar a distribuição dos produtos do Magalu dentro da plataforma e foi recebida positivamente porque cria uma alternativa para recuperar tração no comércio eletrônico sem exigir o mesmo nível de investimento na aquisição de clientes pelos canais próprios.
O acordo atacou uma das principais fragilidades recentes da companhia. No segundo trimestre, as vendas online caíram cerca de 12%, enquanto as lojas físicas cresceram 10,3%. A S&P reafirmou a nota de crédito do Magalu em “brAA-”, esperando recuperação gradual das vendas, sustentada pela parceria e pela menor concorrência após o fechamento de lojas da Casas Bahia.
O JPMorgan elevou suas estimativas para o Magalu, aumentando em 6% a projeção de receita líquida para 2027 e em 24% a estimativa de lucro. O banco, porém, mantém recomendação underweight, equivalente à venda, e destaca que quase todo o lucro da empresa depende de incentivos tributários, levantando dúvidas sobre a qualidade dos resultados.
Nas contas do JPMorgan, uma Selic 1 ponto percentual abaixo do cenário-base elevaria em aproximadamente 10% o lucro projetado do Magalu para 2028. A expectativa em torno das eleições também ampliou o movimento, com o setor varejista negociando em torno de 8 vezes o lucro projetado, contra uma mediana de aproximadamente 15 vezes nos últimos cinco anos.
O segundo trimestre ainda mostrou um quadro desafiador: prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões, queda de 2,6% da receita líquida e retração de 5,1% nas vendas totais. A margem Ebitda ajustada permaneceu em torno de 8%. Os próximos resultados terão que mostrar se os catalisadores estão migrando para vendas, margens e geração de caixa.


