A MBRF Global Foods (MBRF3), antiga Marfrig, adiou uma possível emissão de dívida de alto rendimento em dólar após a disparada dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, que atingiram o maior nível desde 2002. A empresa suspendeu a operação após reuniões com investidores no início desta semana, segundo pessoa familiarizada com o assunto.
A companhia brasileira de alimentos planejava emitir títulos com vencimento em sete ou dez anos, o que seria sua primeira captação de dívida de alto rendimento em dólar em cinco anos. A decisão foi tomada depois que a forte venda de títulos globais elevou significativamente os custos de financiamento.
“Qualquer eventual captação está sujeita às condições de mercado vigentes”, afirmou um porta-voz da MBRF em resposta por e-mail à Bloomberg News. “A companhia continuará avaliando o momento mais adequado para um eventual acesso aos mercados internacionais.”
Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA chegaram nesta quinta-feira ao nível mais alto desde 2002, ampliando uma escalada que encareceu o financiamento para empresas. Os títulos corporativos de alto rendimento americanos registraram, no período encerrado em 30 de setembro, suas maiores perdas mensais e trimestrais desde 2022.
O adiamento ocorre em momento delicado para a MBRF, que enfrenta a desaceleração de sua operação de carne bovina nos Estados Unidos e juros elevados, o que dificulta a redução da alavancagem. No segundo trimestre, as despesas financeiras avançaram cerca de 20% ante o mesmo período do ano anterior, consumindo aproximadamente três quartos do fluxo de caixa operacional, segundo relatório financeiro.
A dívida líquida alcançou cerca de 3,4 vezes o lucro antes de juros e impostos (Ebit) nos três meses encerrados em junho. Segundo a Fitch Ratings, o cenário adverso de mercado, que inclui restrições às exportações para a China, torna improvável que a companhia inicie um processo consistente de desalavancagem antes de 2027.
No início desta semana, a empresa anunciou uma oferta para recomprar títulos com vencimento em 2029. O jornal Valor Econômico informou anteriormente sobre o adiamento dos planos de emissão.

