Paul McCartney, 84, revelou que passou por um colapso emocional após o fim dos Beatles, em 1970, quando tinha 27 anos. Em conversa com o diretor Judd Apatow após uma sessão do documentário “Man on the Run”, em Los Angeles, o músico contou que ficar sozinho foi “muito assustador” e que chegou a começar a beber.
“Eu acho que estar sozinho foi muito assustador, porque eu sempre tive a união do grupo”, disse McCartney, segundo a revista Variety, que reportou o encontro. “Os Beatles terminam, esse foi o único trabalho que você já teve, e então você não tem mais. É como se tivessem te demitido”, explicou.
O músico relatou que o período na Escócia, sozinho e com uma família nova, foi difícil. “Foi meio que um colapso. Quer dizer, eu comecei a beber. Ninguém ia me dizer para eu não beber demais, então era tipo: ‘Oba, vamos lá, vamos nessa’. E foi muito divertido até deixar de ser”, contou.
McCartney afirmou que os filhos ajudaram a mudar o comportamento. “Eu tinha filhos, e isso me fez mudar. E Linda era uma mulher muito inteligente, então ela meio que me deixou fazer isso”, disse, sobre a então esposa, Linda McCartney. Com o tempo, ele passou a diminuir as festas e o consumo de álcool.
Depois do fim da banda, McCartney iniciou carreira solo, trabalhou com Linda e criou o Wings. Ele disse que um dos maiores desafios era encontrar identidade própria sem imitar os Beatles. “Eu pensei: ‘Bem, eu poderia simplesmente escrever algumas músicas meio beatleescas e conseguir algumas pessoas, e nós poderíamos imitar. Seríamos como uma banda cover dos Beatles'”, contou.
O músico lembrou que recusou pedidos de produtores para tocar músicas dos Beatles nos primeiros shows. “Os promotores diziam: ‘E você vai tocar as músicas dos Beatles?’. E eu dizia: ‘Não, não vou’. Eles diziam: ‘Bem, toque apenas “Yesterday”‘. Eu dizia: ‘Não, não vou fazer isso'”, afirmou. Com o sucesso do Wings, especialmente após “Band on the Run”, ele passou a se sentir menos dependente do repertório antigo.
McCartney também falou sobre Allen Klein, empresário dos Beatles nos últimos anos da banda. “Eu conseguia ver que ele era um vigarista. Mas era eu contra os outros caras, e essa foi a pior parte”, afirmou. O músico disse que precisou processar os próprios companheiros. “O mundo vai ficar contra mim, em primeiro lugar, e eu vou ficar contra mim, e não é uma grande ideia. Mas, no fim, era o único caminho, então eu tive que fazer isso”, contou. Segundo ele, anos depois os outros integrantes reconheceram que ele estava certo.

