O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), promoveu o desentranhamento de nove conjuntos de documentos do Caso Master em 28 de agosto e os transformou em investigação sigilosa contra o colega Alexandre de Moraes, segundo arquivos liberados após o levantamento do sigilo em 1º de setembro. O material, que ficou três dias sob nível máximo de segredo, embasou a decisão que tornou Moraes investigado.
Os e-Docs 533, 534, 541, 542, 543, 544, 545, 546 e 547 continham mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Mendonça determinou que fossem autuados em procedimento autônomo, vinculado ao processo original, o que lhe permitiu manter a relatoria e impor sigilo nível 4, aquele que torna a investigação praticamente invisível até para advogados e outros ministros.
Três dias depois, em 1º de setembro, o ministro tornou público o conteúdo das acusações contra Moraes, sem encaminhar o material ao presidente da Corte, Edson Fachin, a quem caberia decidir sobre investigações de ministros, e sem ouvir a Procuradoria-Geral da República (PGR). No despacho, afirmou que cabia ao Plenário julgar o caso e que o acesso público era obrigatório.
No mesmo dia, às 19h28, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, emitiu ato de ofício contra a medida. Gonet pediu a anulação da petição e afirmou ser inegável que Mendonça buscou, de forma minudenciada, indicativos de envolvimento de Moraes. A manifestação não impediu que, em menos de 24 horas, Mendonça aceitasse pedido do Partido Novo para afastar o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Em 3 de setembro, o deputado federal Mário Frias, investigado em outro braço do Caso Master sob relatoria de Mendonça, pediu a suspeição de Gonet, citando trechos do relatório da PF com seu nome. O pedido não consta nos arquivos tornados públicos.
Os documentos também mostram que a defesa de Flávio Bolsonaro protocolou ao menos cinco petições para que Mendonça fosse relator de seus casos, nos dias 1º de junho, 3, 13, 28 e 29 de julho. As investigações envolvem mensagens em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, do ex-presidente Jair Bolsonaro.


