A Meta, dona do Facebook e do Instagram, negou nesta quarta-feira (14) a acusação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que as plataformas beneficiaram a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A empresa atribuiu a queda de alcance a um incidente técnico global e pediu ao TSE que preserve dados de usuários sem vínculo com as campanhas.
Em ofício enviado ao ministro Marco Aurélio Belizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Meta afirmou que a acusação é “falsa, não está demonstrada e não resiste ao confronto com os fatos e com os dados objetivos adiante apresentados”. O magistrado havia solicitado esclarecimentos após denúncia da chapa de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A empresa reconheceu um “incidente técnico de alcance global” que teria bloqueado a contabilização de visualizações de posts no dia 7 de outubro, entre 1h50 e 19h49. Segundo a Meta, a falha ocorreu em todo o mundo e não se limitou a conteúdo político, o que afastaria a hipótese de ação direcionada contra Lula.
“Nesse sentido, a ocorrência objeto deste item não decorreu de qualquer direcionamento específico à campanha, ao candidato ou ao conteúdo político veiculado”, disse a empresa, citando o reforço sistêmico dos mecanismos de identificação de potenciais fraudes implementados em cumprimento a obrigações legais.
Perfis de esquerda e ligados ao PT passaram a difundir a versão de que teriam sido atingidos por queda abrupta de audiência, enquanto perfis ligados à direita e a Flávio mantinham taxas elevadas. A Meta classificou a acusação como “impressão subjetiva de usuários” e lembrou que também é alvo de críticas de adversários do presidente por suposta manipulação.
Sobre a exclusão temporária da conta de anúncios da campanha de Lula, a Meta afirmou que foi um erro “identificado e revertido com celeridade”, após mecanismos de controle enquadrarem equivocadamente um anúncio como possível publicação fraudulenta sobre programa governamental. A empresa citou acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU) que prevê medidas proativas de retirada de conteúdos fraudulentos.
No ofício, a Meta defendeu que dados de usuários sem vínculo com as campanhas sejam preservados. O ministro havia pedido medidas de moderação e distribuição após o PT alegar a existência de uma fazenda de produção de conteúdos favoráveis a Flávio. A empresa argumentou que a prestação de informações individualizadas sobre contas de terceiros “extrapolaria os limites subjetivos da presente controvérsia”. A companhia garantiu ter preservado a integridade dos logs e das URLs dos posts citados.

