O cineasta britânico Mike Leigh, de 83 anos, disse à AFP na quinta-feira (15) que lamenta não poder fazer “mais 100 filmes” por motivos de saúde, durante a estreia de seu trabalho mais recente, “Tender Loving Care”, no Festival de Cinema de Londres. Ele tem miosite, doença autoimune que afeta os músculos, e agora usa bengala para caminhar.
“É apenas porque tenho uma condição médica que torna difícil realizar certas coisas; caso contrário, eu adoraria fazer mais cem filmes”, afirmou Leigh no tapete vermelho do festival, antes da exibição do longa. “Mas talvez não seja possível, simplesmente de um ponto de vista prático.”
No mês passado, o diretor ganhou a Concha de Ouro, principal prêmio do Festival de Cinema de San Sebastián, pelo drama sobre duas assistentes sociais, Amy (Kate O’Flynn) e Rosie (Alice Bailey Johnson), que trabalham com pessoas em situação de vulnerabilidade. Por meio delas e dos pais idosos de Amy, Leigh aborda a compaixão e a necessidade de apoiar o próximo.
Johnson disse estar “desolada” com a possibilidade de este ser o último trabalho do cineasta. “Se for esse o caso, não consigo expressar o quão honrada me sinto por fazer parte disso”, declarou à AFP antes da exibição.
Em 1996, Leigh conquistou a Palma de Ouro em Cannes por “Segredos e Mentiras” e, em 2004, o Leão de Ouro em Veneza por “O Segredo de Vera Drake”.

