A modernização do comércio exterior brasileiro, impulsionada pela DUIMP e pela Reforma Tributária, está transformando a dinâmica do setor e exigindo maior adaptação dos profissionais. A mudança envolve desde a adoção de novas tecnologias até o desenvolvimento de competências como pensamento crítico e colaboração, segundo análise da Chief Marketing Officer da eComex, Helenice Sá Silva Lima.
A DUIMP modifica a dinâmica da importação, enquanto a Reforma Tributária reorganiza a lógica dos tributos. Paralelamente, a Aduana avança em direção a modelos baseados em dados, gestão de risco, automação e controle contínuo.
Atividades historicamente concentradas no preenchimento, conferência e transmissão de documentos começam a migrar para uma operação mais integrada e assistida por tecnologia. A tecnologia permite automatizar tarefas repetitivas, cruzar documentos, identificar divergências e apoiar decisões.
A resistência às mudanças pode estar relacionada a diferentes fatores comportamentais. O cérebro humano tende a buscar previsibilidade e a reduzir situações de incerteza. Uma meta-análise publicada na Psychological Bulletin indicou que o estresse agudo pode prejudicar capacidades como memória de trabalho e flexibilidade cognitiva.
William Samuelson e Richard Zeckhauser identificaram o viés do status quo, a tendência de indivíduos favorecerem uma situação já existente. No ambiente corporativo, esse comportamento pode se manifestar na manutenção de processos conhecidos ou no adiamento da adoção de novas práticas.
À medida que sistemas ampliam sua capacidade de executar tarefas previsíveis, atividades que dependem de julgamento, interpretação e interação humana tendem a ganhar maior relevância. Publicações recentes da OCDE destacam que, na era da inteligência artificial, competências como pensamento crítico, capacidade de aprender, autorregulação, empatia, responsabilidade e colaboração continuam relevantes.
As empresas também exercem um papel nesse processo. Ambientes de transformação exigem clareza sobre as mudanças em andamento, definição das capacidades necessárias e condições para aprendizagem e experimentação. Treinamentos pontuais podem contribuir, mas modelos de aprendizagem contínua e conectados à operação tendem a ampliar a capacidade de adaptação das equipes.

