Goiânia tem dois monumentos no Bosque dos Buritis e em seu entorno que homenageiam a paz mundial e as vítimas da ditadura militar. As obras, do artista plástico Siron Franco e do arquiteto Marcus Sales Gebrim, ficam no Setor Oeste e carregam significados ligados à memória e à união dos povos.
Dentro do bosque, o Monumento à Paz Mundial tem aproximadamente cinco metros de altura e pesa cerca de 50 toneladas. Feita de concreto e vidro, a estrutura concebida por Siron reúne porções de solo de diferentes partes do mundo, em uma representação da possibilidade de convivência pacífica entre os povos.
Na parte central, compartimentos de vidro separados por faixas coloridas abrigam amostras de terra dos cinco continentes. Um compartimento maior contém solos misturados. A reunião dessas terras materializa a ideia de uma humanidade que compartilha o mesmo planeta, enquanto o formato de ampulheta remete à urgência de alcançar a paz.
A obra foi encomendada pela Comunidade Internacional Bahá’í, ligada à religião que defende a unidade da humanidade. Na estrutura, uma inscrição apresenta uma mensagem de Bahá’u’lláh, fundador da fé, sobre a Terra como um único país e os seres humanos como seus cidadãos. A ampulheta não foi a primeira solução imaginada pelo artista, mas a forma final veio através de um período de pesquisa e estudo. O monumento foi inaugurado em 20 de setembro de 1988, durante o II Simpósio Nacional da Paz na Era Nuclear.
Em frente ao bosque, na Avenida Assis Chateaubriand, próximo ao encontro com a via Dona Gercina Borges, o Monumento aos Mortos e Desaparecidos na Luta Contra a Ditadura Militar mantém a memória de vítimas da repressão. A obra foi inaugurada em 27 de agosto de 2004, durante a gestão do então prefeito Pedro Wilson, e seu projeto foi escolhido por concurso público.
A esfera é formada por 15 lâminas de aço, cada uma correspondente a uma pessoa homenageada. Entre os nomes estão Honestino Monteiro Guimarães, José Porfírio de Souza, Maria Augusta Thomaz e Marco Antônio Dias Batista. A homenagem contempla pessoas nascidas em Goiás ou que tiveram suas trajetórias vinculadas ao estado.
Autor do projeto, Marcus Sales Gebrim explicou que utilizou aço corten, material que conferia originalmente à escultura uma coloração terrosa. Em entrevista à pesquisadora Kelly Cristina Pereira Gondim, o arquiteto relacionou a forma esférica ao planeta Terra e à dimensão coletiva dos ideais de justiça e liberdade defendidos pelos homenageados.
A concepção artística também previa água e fogo. A água deveria escorrer do alto da esfera, percorrer suas partes e chegar a um espelho d’água. Representaria, ao mesmo tempo, a vida e as lágrimas pela perda das vítimas. No interior, uma chama simbolizaria a permanência dos ideais de democracia e liberdade, conforme o memorial do projeto.


