Moradores de Vigário Geral, na zona norte do Rio, estenderam duas faixas na passarela da Rua Bulhões Marcial, voltadas para os dois sentidos da via, em homenagem ao jornalista Zuenir Ventura, morto na semana passada, aos 95 anos. A passarela foi percorrida por ele durante dez meses após a chacina que matou 21 pessoas no bairro em agosto de 1993.
As faixas foram colocadas na passarela que liga os dois lados da Rua Bulhões Marcial, um dos principais acessos à comunidade. A homenagem foi organizada por moradores e chama atenção para a ligação do jornalista com o bairro, onde ele passou a circular logo depois da chacina.
Segundo o sociólogo Caio Ferraz, nascido em Vigário Geral, foi por essa passarela que Zuenir Ventura atravessou diariamente durante dez meses para ouvir as histórias dos moradores. “Foi por essa passarela que, durante dez meses, logo após a chacina no bairro, Zuenir atravessou para ouvir as histórias dos seus moradores”, disse Ferraz.
A chacina de Vigário Geral ocorreu em agosto de 1993, quando 21 pessoas foram mortas. O episódio ficou marcado como um dos mais violentos da história do Rio de Janeiro e levou o bairro a ganhar atenção nacional.
Foi a partir da convivência com os moradores da comunidade, durante os dez meses de idas e vindas pela passarela, que Zuenir Ventura escreveu o livro “Cidade Partida”, lançado em 1994. Na obra, o jornalista descreveu o cotidiano de violência e a vida no bairro, em um trabalho que ele próprio comparou ao de um correspondente de guerra.
Zuenir Ventura morreu na semana passada, aos 95 anos. Ele era considerado um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro, com passagens por veículos como o Jornal do Brasil e a revista Veja, além de livros como “1968: O Ano que Não Terminou”.

