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Moraes recebe chefes da PF em reunião fora da agenda no STF

Carla Fernandes
Última atualização: 7 de outubro de 2026 01:24
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, recebeu na terça-feira (6) o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa, e o agente Denis de Carli. O encontro não foi registrado na agenda oficial do magistrado. A pauta da reunião não foi divulgada.

Moraes é suspeito de ter atuado de forma ilegal para orientar e proteger Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Um relatório da PF indicou que Vorcaro enviou 52 mensagens ao magistrado até o momento em que foi preso. Moraes respondia com textos e imagens de visualização única.

Documentos indicam como foi o contato entre o ministro e o ex-dono do Master, que está preso sob suspeita de corrupção. O STF analisaria em 15 de setembro se o ministro deveria ser investigado, mas decidiu salvá-lo por até 90 dias.

A PF fez um relatório sobre as relações de Moraes e de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, com Vorcaro. Andrei Rodrigues e Leandro Almada, porém, foram apontados como suspeitos de espionar magistrados do STF e chegaram a ser afastados por um dia de seus cargos.

Em 8 de setembro, o ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei e Almada, sob suspeita de crime ao investigar ministros sem autorização. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino mandou reintegrá-los. Dino aceitou diretamente uma reclamação dos dois policiais, que deveriam ter recorrido a Mendonça. Eles argumentaram que investigavam o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e que a operação seria prejudicada se ficassem fora dos cargos.

O presidente do STF, Edson Fachin, preferiu não anular a decisão de Dino. Deu prazo de 48 horas para Andrei se explicar. A resposta foi recebida em 11 de setembro, e Fachin só despachou em 24 de setembro, pedindo parecer à Procuradoria-Geral da República, que ainda não se manifestou.

Em 2 de outubro, Fachin enviou ofício à PF defendendo apurar “sem exceção de pessoa” eventual envolvimento de ministros no caso Banco Master. Marcou audiência com Andrei para 13 de outubro. Andrei foi guarda-costas de Lula na campanha de 2022 e, em abril de 2024, participou de seminário em Londres patrocinado pelo Banco Master, com Vorcaro e Moraes.

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