Morreu neste sábado (3/10), aos 84 anos, Mário Martins Ribeiro Carvalho, fundador do Caneco Gelado do Mário, um dos bares e restaurantes mais tradicionais de Niterói. A morte foi comunicada pela família nas redes sociais do estabelecimento. A causa não foi informada.
Português de nascimento, o comerciante passou mais de cinco décadas à frente do Caneco Gelado do Mário, no Centro de Niterói. Conhecido pelos frequentadores como Seu Mário, o empresário fazia questão de estar presente no salão, receber os clientes e acompanhar o funcionamento da casa.
Na mensagem de despedida, os familiares lembraram que Mário ajudou a fazer do restaurante um lugar de encontros e amizades. “Mário parte, mas sua história, seu legado e o carinho por ele permanecerão para sempre”, escreveu a família, em publicação nas redes sociais.
Nascido em Fafe, no distrito de Braga, em Portugal, Mário chegou ao Brasil ainda menino, em 1953. Um de seus primeiros empregos foi no restaurante Arouca, em Copacabana, onde trabalhou como lavador de pratos. Em 22 de novembro de 1969, inaugurou a Lanchonete Ponte Rio-Niterói, no Centro do município.
O estabelecimento começou com pizzas, peixes e petiscos, mas ganhou outra identidade quando o proprietário passou a servir cerveja em canecas de alumínio mantidas geladas. O costume agradou aos clientes, que começaram a se referir ao lugar como o do “caneco gelado”. Com o tempo, o apelido virou nome: Caneco Gelado do Mário.
O bolinho de bacalhau virou marca do restaurante, preparado a partir de uma receita que remete à infância do fundador em Portugal. A inspiração veio da avó de Mário, que mantinha um bar em sua terra natal. Em entrevista ao jornal A Tribuna, por ocasião dos 50 anos do restaurante, Mário contou que preservava os detalhes da preparação. “Esse é o meu segredo e eu não conto para ninguém”, afirmou à época.
Em dezembro de 2019, o Caneco Gelado do Mário foi declarado Patrimônio Cultural de natureza imaterial do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Lei Estadual nº 8.649/2019. Mário também recebeu a Medalha Tiradentes, uma das principais honrarias concedidas pelo Parlamento fluminense.
O velório está marcado para segunda-feira (5/10), das 10h às 13h, na capela do Cemitério da Irmandade do Santíssimo Sacramento, no Barreto, em Niterói. A despedida ocorrerá no próprio cemitério. Também está prevista uma missa de sétimo dia no sábado (10/10), às 17h, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no bairro de Fátima, em Niterói.

