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Morre Netinho, cantor de ‘Milla’ e ícone do axé, aos 60 anos

Carla Fernandes
Última atualização: 13 de outubro de 2026 12:05
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

O cantor Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em decorrência de complicações de um linfoma não Hodgkin, doença diagnosticada em março do ano passado. Um dos maiores nomes do axé music, ele era dono de hits como “Milla”, “Beijo na boca”, “Menina” e “Fim de semana”.

Netinho, nome artístico de Ernesto de Souza Andrade Júnior, nasceu em 12 de julho de 1966 em Santo Antônio de Jesus, no interior da Bahia. Aos 14 anos, ganhou o primeiro violão e, depois de ingressar no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador, começou a tocar profissionalmente em bares da cidade.

A carreira musical começou de fato em 1988, como vocalista da Banda Beijo. O primeiro disco da banda estourou nas rádios com “Beijo na boca”, música que o levou a ser o primeiro artista de axé a se apresentar no programa Domingão do Faustão. Em 1990, durante a Copa do Mundo da Itália, ele protagonizou a primeira ida de um trio elétrico para o exterior — o trio viajou de navio e demorou dois meses para chegar ao país.

Em 1993, Netinho gravou o primeiro CD solo, “Um beijo pra você”, que estourou com “Menina”, regravação de um sucesso do violonista Paulinho Nogueira. Três anos depois, no CD “Netinho ao Vivo!”, gravado em Aracaju, veio seu maior hit, “Milla”. A gravação bateu recordes de execução e foi regravada em mais de oito línguas, incluindo o russo.

Em 2009, Netinho comemorou 20 anos de carreira com a gravação, em Aracaju, diante de cerca de seis mil pessoas, do DVD “Netinho e a Caixa Mágica”, com participações de Saulo Fernandes, Alinne Rosa, Tomate, D’Black e Jorge Vercillo.

Os primeiros problemas graves de saúde foram revelados em 2013, quando médicos constataram uma hemorragia no fígado. O cantor foi diagnosticado com adenomas hepáticos em função do uso indiscriminado de esteroides androgênicos anabólicos, que provocaram uma série de derrames cerebrais. Netinho declarou não saber que tomava anabolizantes proibidos, alegando acreditar serem suplementos para treino, e processou o médico que os receitou, Mohamad Barakat.

Após a recuperação, o artista passou a usar as redes sociais e aparições na televisão para alertar o público sobre os riscos dos anabolizantes. Em março do ano passado, ele foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin e ficou internado por 25 dias depois de sentir fortes dores nas pernas e costas. Após receber alta, chegou a retomar os shows antes da volta do tumor. Este ano, anunciou que a doença havia retornado e reiniciou as sessões de quimioterapia.

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