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MP dá 48h para Nunes explicar caos na chuva em SP

Carla Fernandes
Última atualização: 16 de outubro de 2026 10:39
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

O Ministério Público de São Paulo deu 48 horas para o prefeito Ricardo Nunes (MDB) explicar as medidas adotadas após o temporal de quarta-feira (14), que alagou o túnel do Anhangabaú e matou uma pessoa na Brasilândia. A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo pede multa que pode chegar a R$ 1,8 milhão pelo descumprimento de uma sentença sobre drenagem urbana.

A medida foi tomada um dia depois da chuva que também fez o lago do Parque Ibirapuera transbordar. No despacho, os promotores citam o “reconhecimento de graves e continuadas falhas na política de drenagem urbana e de controle de enchentes” e pedem que a prefeitura apresente planos de intervenção de curto, médio e longo prazos.

O prazo para a prefeitura entregar os planos, determinados em uma ação civil pública, venceu em junho, sem resposta de Nunes. A Promotoria requer ainda o reconhecimento da mora do município e a incidência de multa diária de R$ 10 mil prevista na decisão.

O ponto de maior potencial de litígio é o alagamento do túnel do Anhangabaú, que deixou 26 carros e dois ônibus submersos e amontoados após a água escoar. Em entrevista na quinta-feira (15), Nunes disse que a reação à inundação “funcionou bem”, mas que o sistema de drenagem não deu conta porque a água subiu 1 metro em 3 minutos.

O túnel João Paulo II, como é oficialmente chamado, tem problemas de manutenção identificados há pelo menos dois anos: fissuras nas paredes, tubulação rompida, acúmulo de detritos na grelha de captação e anomalias na iluminação e no asfalto.

Em dezembro de 2025, a prefeitura assinou contrato de R$ 6 milhões com o Consórcio Hidropav-Protende para obras de recuperação, com entrega prevista para 31 de maio de 2026. A obra atrasou, e o contrato foi prorrogado até agosto, com valor reajustado para R$ 9 milhões. Nova prorrogação levou o prazo a 30 de setembro, quando o consórcio pediu mais quatro meses, até janeiro de 2027.

A gestão municipal ainda não respondeu se vai aditar novamente o contrato. A prefeitura foi procurada e não retornou até a publicação desta matéria.

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