O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, por homicídio qualificado pela morte do estudante de medicina Bruno Hashimura San Julano, de 23, durante discussão no trânsito em Taubaté, no dia 30 de setembro. A denúncia foi protocolada nesta terça-feira (6).
O promotor Brenno Arruda Sobreira de Siqueira Figueiredo pede que o militar se torne réu por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. O MP-SP também concorda com o pedido de prisão preventiva apresentado pela Polícia Civil.
Para o MP-SP, o crime ocorreu “sob circunstância incapaz de justificar a violência empregada”. A denúncia aponta que o estudante foi surpreendido pelo rompimento do vidro do veículo e pelos disparos efetuados pelo militar. O órgão requer que Marcos Paulo seja submetido ao Tribunal do Júri e, em caso de condenação, a fixação de valor mínimo para reparação dos danos causados aos familiares da vítima.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decretou na sexta-feira (2) a prisão preventiva do bombeiro. Ele havia tido a liberdade provisória concedida na quinta-feira (1º), mas o MP recorreu. A decisão da liberdade provisória determinava medidas cautelares, como comparecimento em juízo a cada dois meses, recolhimento domiciliar noturno nos fins de semana e proibição de se aproximar dos familiares da vítima.
Ao analisar o pedido, a relatora, desembargadora Gilda Alves Barbosa Diodatti, considerou que havia prova da materialidade e indícios de autoria. A decisão citou o depoimento de uma testemunha protegida, segundo a qual Marcos teria saído do carro, se aproximado do veículo da vítima, quebrado o vidro e efetuado diversos disparos. A relatora afirmou que não havia elementos que comprovassem a versão de legítima defesa, já que nenhuma arma foi encontrada com a vítima.
Procurado, o advogado Claudio Rodrigues Moreira, responsável pela defesa do militar, informou que respeita os atos da Justiça, mas pretende recorrer da decisão em um “momento oportuno”. Em nota, reafirmou a confiança no funcionamento das instituições e disse que eventuais manifestações serão realizadas nos autos. A defesa informou que, caso não consiga revogar a prisão preventiva, o militar se entregará espontaneamente à Justiça.
O Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo informou que Marcos Paulo estava de licença no dia do crime, concedida a pedido do próprio militar. Ele possui 10 anos de serviço na instituição e autorização para aquisição e porte de arma de fogo desde 2018.
Bruno Hashimura San Julano era estudante do 4º semestre de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau). Ele foi socorrido pelo Samu e levado ao Hospital Regional, mas não resistiu. Uma testemunha protegida contou à polícia que Bruno permaneceu o tempo todo dentro do carro, com os vidros fechados, sem discutir e sem se projetar para fora do veículo.


