Os laboratórios MSD e Moderna anunciaram nesta sexta-feira (16) resultados positivos na fase final dos ensaios clínicos de uma vacina de RNA mensageiro contra o melanoma, tipo mais letal de câncer de pele. O tratamento experimental, direcionado a pacientes com a doença em estágio avançado, mostrou menor probabilidade de recidiva quando combinado ao imunoterápico Keytruda.
Em comunicado conjunto, as empresas afirmaram que esta é a primeira leitura de resultados positivos de uma fase 3 para uma terapia contra o câncer baseada em mRNA. O estudo envolveu 1.137 pessoas com melanoma de alto risco que passaram por cirurgia para remoção do tumor.
Os pacientes que receberam a vacina personalizada junto com o Keytruda, da MSD, tiveram menor probabilidade de recidiva ou disseminação da doença em comparação com os que usaram apenas o imunoterápico.
A nova terapia, chamada intismeran autogene, é desenvolvida a partir das mutações específicas do tumor de cada paciente. O processo de produção leva cerca de seis semanas e envolve o sequenciamento do tumor e a seleção de neoantígenos, que ensinam o sistema imunológico a atacar as células cancerígenas.
Os resultados da fase 3 complementam dados anteriores da fase 2b, apresentados na reunião anual da ASCO de 2026. Naquela etapa, a combinação demonstrou redução de 49% no risco de recorrência ou morte e de 59% no risco de metástase à distância ou morte, em comparação com o Keytruda isolado.
“Durante muitos anos, a ideia de criar um tratamento de mRNA desenvolvido especificamente para o câncer de uma pessoa era difícil de imaginar. Hoje, estamos contribuindo para transformar esta visão em realidade”, declarou Stéphane Bancel, CEO da Moderna.
MSD e Moderna planejam apresentar os dados em um congresso médico e iniciar os trâmites com as autoridades para solicitar a aprovação do tratamento. O melanoma teve mais de 330 mil novos casos diagnosticados no mundo em 2022, número que está em alta, segundo os laboratórios.

