A Nike informou que está consolidando operações e cortando empregos, ao mesmo tempo em que alertou que a queda nas vendas deve se aprofundar. A empresa prevê que a receita cairá em um patamar de um dígito alto no atual ano fiscal, pior do que a retração de 2,4% estimada por analistas.
As vendas somaram US$ 11,2 bilhões no primeiro trimestre fiscal encerrado em 31 de agosto, queda de 4% em relação ao ano anterior e abaixo da média das estimativas do mercado.
O CEO Elliott Hill está prestes a iniciar seu terceiro ano no comando, enquanto aumenta a pressão para que a companhia mostre sinais de recuperação. As ações acumulam queda superior a 40% neste ano e caminham para o quinto ano consecutivo de desvalorização. Na quinta-feira, os papéis recuavam 4% no after-market de Nova York.
A Nike planeja consolidar suas divisões geográficas. A operação da Grande China, que registrou o nono trimestre consecutivo de queda, será incorporada à região mais ampla da Ásia-Pacífico. Já a América Latina, antes agrupada com Ásia-Pacífico, passará a fazer parte da divisão da América do Norte.
Hill afirmou em comunicado aos funcionários que a mudança, juntamente com outras medidas, significa que a Nike “precisará de menos cargos ao longo do tempo”. As decisões sobre quais funções serão afetadas começarão a ser tomadas a partir do próximo ano. A empresa espera que o plano gere US$ 2,5 bilhões em economia ao longo dos próximos cinco anos, embora também projete cerca de US$ 1 bilhão em encargos antes de impostos.
“O futuro pertencerá às empresas que conseguirem se mover mais rapidamente, atender atletas e consumidores de forma mais local e investir de maneira mais agressiva em inovação”, escreveu Hill.
Os resultados mais recentes indicam que os problemas estão se agravando. A receita do canal direto ao consumidor ficou abaixo das expectativas, assim como o desempenho da divisão de calçados. A Converse registrou o 14º trimestre consecutivo de queda nas vendas.
Na China, a Nike enfrenta concorrência crescente de marcas locais e preferência por fabricantes nacionais. A Converse sofre com a dependência do modelo Chuck Taylor All-Star e enfrentou controvérsia após campanha associada à Ku Klux Klan, com suspensão temporária de anúncios. A equipe de liderança realizará encontro com investidores no próximo mês, o primeiro desde que Hill assumiu em outubro de 2024.


