O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que o partido acertou ao adotar neutralidade no primeiro turno e que teria sido um erro apoiar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao jornal O Globo, ele disse que 17 dos 27 diretórios estaduais da sigla já apoiam Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
“O MDB é muito grande, com muitas forças políticas. Seria um erro se tivesse apoiado o Lula. Meu papel foi o de mostrar, para as pessoas do MDB, que esse não seria um bom caminho”, disse. “O partido tem três ministérios e o fato de liberar seus diretórios para apoiar quem quiser, aí sim eu acho que foi um acerto”, completou.
Nunes foi o principal articulador do acordo que permitiu aos diretórios estaduais apoiarem Flávio no segundo turno. Ele também comentou que o cenário é favorável para ampliar o número de aliados dentro da sigla em prol da candidatura bolsonarista. “Como são 27 diretórios, precisaria ter maioria [para a sigla apoiar Flávio], se tivesse 14 já estava suficiente. Acho que os 17 é mais para poder mostrar de forma enfática que tem uma grande maioria. Os outros devem vir”, justificou.
Questionado sobre a estratégia de Flávio na reta final de campanha, Nunes reforçou que o candidato deve ir aos debates e “questionar Lula sobre o filho dele [Fábio Luiz Inácio Lula da Silva]” e sobre a atual situação econômica.
O prefeito também acredita que os votos em torno de Flávio devem avançar na cidade. “Ele vai ter mais votos no segundo turno, porque teve votos que foram para o Ronaldo Caiado (PSD). E a gente vai poder focar um pouco mais na campanha”, explicou.
Apesar do apoio declarado por Nunes e pelo governador de São Paulo reeleito, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula foi o candidato com a maioria dos votos no primeiro turno na capital. O petista somou 3.052.349 votos, o equivalente a 46,58% dos votos válidos. Flávio conquistou 2.760.747, que corresponde a 42,13%. Caiado, citado por Nunes como possível voto migrante, pontuou 177.516, que corresponde a 2,71%.


