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Operação contra Ilhan Omar vira arma eleitoral na reta final das midterms

Carla Fernandes
Última atualização: 13 de outubro de 2026 17:48
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

A operação do Departamento de Segurança Interna (DHS) na residência da deputada democrata Ilhan Omar, em Washington, na segunda-feira (12), virou tema central da reta final das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Democratas acusam o presidente Donald Trump de “abuso arbitrário de poder” para prejudicar a parlamentar, que busca reeleição. Trump nega envolvimento e usou o caso para atacar a imigração.

O “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, disse na segunda-feira que um mandado de busca foi cumprido como parte de uma investigação em curso envolvendo a deputada. A emissora Foz News atribuiu a fontes anônimas a informação de que o caso estaria relacionado a uma investigação criminal por fraude, envolvendo documentos apresentados em nome de Omar por seu falecido pai, quando ela ainda era criança.

Omar negou as acusações e tratou o caso como perseguição política. “Não se enganem: isso é uma tentativa de atingir inimigos políticos e transformar a aplicação da lei federal em uma arma”, escreveu a parlamentar em uma rede social. “Há dez anos, Trump me ataca com mentiras infundadas e campanhas de difamação.”

Em comício em Youngstown, Michigan, horas após a operação, Trump afirmou não saber o que os agentes do DHS estavam fazendo, mas classificou a deputada como “um desastre”. A fala provocou gritos de “deportação” entre os presentes. “Ela vem de um país sem leis, sem polícia, sem Forças Armadas”, disse o presidente.

Mulher, negra e muçulmana, Omar nasceu na Somália na década de 1980, auge da guerra civil no país, e se mudou ainda criança com a família para os EUA, acolhidos como refugiados. Ela obteve cidadania americana em 2000, quando tinha 17 anos, e tornou-se a primeira somali-americana a ser eleita para o Congresso em 2018.

A pauta anti-imigração também atingiu Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan, médico americano de origem árabe. Trump o chamou de “jihadista” e elogiou seu adversário, o ex-deputado Mike Rogers. O presidente também resgatou a narrativa falsa sobre imigrantes haitianos em Springfield, Ohio, repetindo que “35 mil pessoas vindas do Haiti” teriam causado problemas na cidade.

As eleições de meio de mandato, marcadas para novembro, renovarão um terço do Senado e todas as cadeiras da Câmara. Trump embarcou nesta terça-feira (13) em um voo de 5,5 mil km até o Alasca para influenciar a disputa que pode garantir apenas uma cadeira no Senado.

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