A osteoporose afeta cerca de 10 milhões de brasileiros e pode passar anos sem sintomas, sendo descoberta apenas após uma fratura, segundo o ortopedista Maurício Leite, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Em entrevista nesta quarta-feira (14), ele explicou os principais fatores de risco e formas de prevenção da doença.
O médico comparou a osteoporose à pressão alta: a pessoa pode conviver com a condição durante anos sem perceber. “É possível perder massa óssea sem desenvolver nenhum sinal, até que seja realizada uma densitometria óssea”, afirmou.
O grupo de maior risco é composto por mulheres na pós-menopausa. “Com a menopausa, a alteração hormonal afeta diversos sistemas do organismo e aumenta a propensão ao desenvolvimento da doença”, explicou. Ele recomendou que essas mulheres façam densitometria óssea regularmente, anualmente ou a cada dois anos.
Nos homens, a doença é menos frequente, mas fumantes devem iniciar a avaliação mais cedo. Pacientes que usaram corticoides por longos períodos, como os que têm alergias crônicas, também precisam de acompanhamento específico.
Dietas com baixa concentração de cálcio ao longo da vida reduzem o estoque no organismo e podem levar a uma osteoporose mais precoce ou severa. A exposição solar adequada é importante porque a vitamina D, ativada pelo sol, direciona o cálcio para os ossos.
As fraturas mais comuns atingem punho, coluna e colo do fêmur. “As fraturas do colo do fêmur exigem tratamento cirúrgico e estão associadas a índices elevados de mortalidade. Em até três anos após a fratura, a taxa de morte pode chegar a 50% dos casos”, alertou.
O médico também criticou a automedicação com suplementos divulgados em propagandas e redes sociais. “Muitas vezes as pessoas veem uma propaganda e acreditam que encontraram uma solução milagrosa. Nem sempre isso é verdade”, disse.


