O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), afirmou que um eventual quarto mandato do presidente Lula vai “enterrar definitivamente” a tabela SUS, modelo de remuneração por procedimentos usado há quase 30 anos. A declaração foi dada em entrevista à Folhapress durante a campanha do segundo turno.
Padilha, responsável pelo programa de saúde da campanha à reeleição, disse que a tabela já deixou de ser parâmetro para cerca de 1.500 procedimentos. Eles passaram a ser pagos pelos valores do programa Agora Tem Especialistas, de três a quatro vezes maiores e diferenciados por região.
O ministro prometeu entregar até o fim deste ano o painel nacional das filas do SUS, previsto desde o lançamento do programa, em 2025. “O Congresso aprovou a obrigatoriedade de estados e municípios apresentarem os dados, e com isso vamos ter o painel no final deste ano”, disse.
Ele afirmou que o estado de São Paulo é um dos que não repassam informações sobre as filas. “É preciso deixar claro que essas filas são dos municípios e dos estados, não do governo federal. A lei exige que eles passem informações que hoje não passam.”
Padilha citou o recorde de cirurgias eletivas pelo SUS em 2025, com quase 15 milhões, 42% a mais que em 2022. “Neste ano vamos superar esse número. A projeção é chegar a 16 milhões.” As carretas do Agora Tem Especialistas atenderam pacientes de 4.300 municípios e zeraram filas em 30 dias em saúde da mulher, tomografia e cirurgia de catarata.
O ministro atacou o adversário de Lula, Flávio Bolsonaro (PL). “O plano de Flávio Bolsonaro prevê corte de R$ 250 bilhões, e não há como cortar isso sem atingir a Saúde, que é o maior Orçamento da União.” Ele citou o “apagão dos hospitais federais do Rio de Janeiro” como a única experiência do adversário na área.
Sobre a auditoria do TCU que apontou cumprimento de apenas 16,7% das metas na Saúde, Padilha afirmou que uma nova lógica de financiamento da atenção primária, publicada no segundo semestre de 2025, remunera por indicadores. Ele também citou a compra de 10 mil conjuntos de equipamentos para unidades básicas e a criação de equipes dedicadas a idosos que não saem de casa.
O orçamento dos medicamentos especializados passou de cerca de R$ 13 bilhões para mais de R$ 27 bilhões, com incorporação de mais de 160 novos medicamentos. O ministro disse esperar a primeira licitação com preço sigiloso até o fim do ano.


