A empreendedora paraense Elka Conceição Silva, de Barcarena, no Pará, participou do Chocolat Festival em Lisboa, Portugal, em sua primeira viagem internacional. Fundadora da marca Elka Cacau, ela foi selecionada pelo governo estadual para apresentar chocolates produzidos na Amazônia e buscar oportunidades no mercado externo.
Há pouco mais de quatro anos, Elka começou a construir um caminho diferente daquele que imaginava para a própria vida. Mãe de duas filhas, ela conta que se tornou mãe aos 18 anos e acreditava que sua trajetória ficaria restrita às responsabilidades domésticas.
A mudança começou quando passou a frequentar cursos oferecidos por uma cooperativa de mulheres. O incentivo recebido ajudou a despertar seu interesse pelo empreendedorismo e a retomar os estudos. “Alguém viu um potencial em mim que eu não via. Eu voltei a estudar porque tinha deixado a escola e comecei a olhar o mundo de forma diferente”, relata.
Hoje, Elka administra a própria marca, participa ativamente da cooperativa e atua como conselheira municipal de economia solidária. A empresa, que ela chama carinhosamente de sua “terceira filha”, tornou-se parte de um projeto maior de autonomia financeira e transformação social.
A marca Elka Cacau produz chocolates sem lactose a partir de cacau de aroma fino cultivado em áreas de várzea, ambientes amazônicos sujeitos à influência das marés e a períodos de inundação. O processo envolve desde a seleção das amêndoas até a fabricação do produto final, com participação de mulheres da própria comunidade. “Nós temos um grupo de mulheres hoje que trabalha diretamente da árvore à barra do chocolate. Faz todo o processo seletivo do cacau, das amêndoas e o produto final, todas mulheres”, explica.
A participação no Chocolat Festival, em Lisboa, representou uma conquista pessoal e profissional para Elka. Além de viajar de avião pela primeira vez, ela teve a oportunidade de apresentar seus produtos a possíveis compradores e conhecer novas possibilidades de comercialização. “Foi surpreendente. Eu acho que eu atingi o limite que eu esperava de mim, porque primeiramente eu tinha que me desafiar pra poder conseguir desafiar outra pessoa. Porque por mais que eu não conseguisse fechar, eu já ganhei experiência pra próxima”, conta.
Além da fábrica de chocolates, Elka mantém um negócio de turismo rural, por meio do qual apresenta aos visitantes o potencial do cacau e a realidade da produção amazônica. A empreendedora também busca cursos, capacitações e apoio de instituições como a ApexBrasil e a Emater para desenvolver os negócios. Essas iniciativas contribuíram para sua participação em eventos nacionais, como o Chocolat Brasília, e em atividades relacionadas à COP30.
“Nós moramos no coração da Amazônia, no interior do mato mesmo. É uma vida com muitos desafios, principalmente para nós mulheres”, afirma. Ela ressalta que o trabalho na agricultura exige esforço físico e dedicação, mas acredita que a capacitação e o acesso a oportunidades podem mudar a realidade de outras mulheres da região.


