A Paramount chegou a um acordo na segunda-feira para resolver uma ação antitruste que atrasava sua aquisição da Warner Bros. Discovery, no valor de US$ 111 bilhões, eliminando o último obstáculo significativo para a criação de um colosso do entretenimento e da mídia. O negócio foi confirmado por quatro pessoas a par das negociações.
Um grupo de estados, liderado pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, do partido Democrata, processou a Paramount em julho, argumentando que a aquisição da Warner Bros. Discovery concentraria poder excessivo sobre a TV a cabo e os filmes de grande sucesso nas mãos de uma única empresa.
Depois de semanas de negociações intermitentes, a Paramount e os Estados concordaram com uma série de concessões para concluir o negócio, segundo as fontes, que falaram sob condição de anonimato para discutir detalhes ainda não divulgados.
A gigante do entretenimento concordou em criar um conselho de jornalistas para garantir a independência editorial da CNN e da CBS News e se comprometeu a distribuir 30 filmes nos cinemas a cada ano. A empresa também se comprometeu a investir US$ 1,5 bilhão adicional na produção cinematográfica nos próximos cinco anos.
Com o acordo, David Ellison, que já controla a CBS News, deve assumir também o comando da CNN. A aquisição ocorre em meio a críticas sobre a concentração de poder nas mãos de um aliado do presidente Donald Trump.
O modelo de conselho editorial já foi usado em aquisições anteriores de empresas de notícias, como quando Rupert Murdoch comprou o The Times de Londres e o The Sunday Times em 1981. Na ocasião, o editor Harold Evans afirmou que Murdoch quebrou todas as garantias de independência que havia assumido.


