A pastora indígena Margaret Super, de 50 anos, fundadora e diretora executiva da Iniciativa dos Povos Pastores no Quênia (PPI), denunciou que o povo Rendille, seminômade, enfrenta crescente pressão sobre suas terras no condado de Marsabit, no norte do país, por causa de projetos energéticos, de conservação e de créditos de carbono.
Durante séculos, os Rendille pastorearam e protegeram os pastos e territórios em Marsabit, dos quais dependem seu gado, sua alimentação e sua cultura. Agora, segundo Super, essas terras estão sob novas regras impostas por iniciativas externas.
As comunidades têm direito a entender os contratos que assinam, a saber quanto dinheiro esses projetos geram e a decidir como são geridos os territórios que cuidam por gerações, afirmou a líder, em declaração à imprensa.
“Não precisamos que alguém de fora venha nos ensinar a proteger nossa terra”, disse Super, que nasceu em Marsabit e lidera a PPI, organização que representa povos pastores do país.
A pressão sobre as terras dos Rendille ocorre em meio à expansão de projetos de energia, conservação ambiental e créditos de carbono na região, que impõem novas regras de uso do solo.
O caso expõe o conflito entre o avanço dessas iniciativas e o modo de vida tradicional de comunidades indígenas que habitam a área há séculos.

